Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 9 de setembro de 2026
Nos últimos dias, o Brasil tem acompanhado o acirramento de uma crise institucional gerada por polêmicas, conflitos e questionamentos sobre a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no processo alusivo ao escândalo de corrupção associado ao banqueiro Daniel Vorcaro. O cenário motivou a seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) e outras 34 entidades civis a lançarem um manifesto conjunto em defesa da Constituição.
A mensagem defende apuração rigorosa, imediata, independente e transparente dos fatos. Também propõe um debate nacional sobre o aperfeiçoamento da Corte máxima do País, incluindo questões como o processo de indicação de seus membros, a duração dos mandatos e os mecanismos de responsabilização.
Texto integral
“Exigimos esclarecimentos e investigação dos fatos. O Brasil vive uma das mais graves crises institucionais desde a redemocratização. As recentes controvérsias e revelações envolvendo o Supremo Tribunal Federal colocam em xeque a credibilidade de uma das mais importantes instituições da República e exigem respostas claras à sociedade brasileira.
O Supremo Tribunal Federal já vivia uma crise de credibilidade decorrente de excessos cometidos e, agora, enfrenta também uma crise ética e moral sem precedentes.
Por ser pilar da democracia e do Estado de Direito e guardião da Constituição, dos direitos e das garantias fundamentais, o STF deve estar permanentemente submetido aos princípios da independência, da imparcialidade, da transparência e da responsabilidade.
As entidades da sociedade civil que subscrevem este Manifesto defendem a rigorosa, imediata, independente e transparente apuração de todos os fatos pelos órgãos constitucionalmente competentes, com absoluto respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e às demais garantias fundamentais.
Não defendemos julgamentos antecipados, mas também não admitimos que fatos graves permaneçam sem esclarecimento. Em uma República, ninguém está acima da Constituição e ninguém está acima da lei.
A crise atual também demonstra a necessidade de um debate nacional sobre o aperfeiçoamento do próprio Supremo Tribunal Federal. Questões como a adoção de mandatos para seus ministros, a revisão do modelo de indicação e o fortalecimento da colegialidade, da transparência e dos mecanismos de responsabilização precisam ser discutidas de forma democrática, responsável e sem casuísmos.
Não queremos um Supremo enfraquecido. Queremos um Supremo fortalecido pela confiança da sociedade, pela imparcialidade de suas decisões e pelo respeito aos limites estabelecidos pela Constituição.
Este não é um debate de direita ou de esquerda, de governo ou de oposição. Não se trata de defender ou atacar pessoas, mas de resgatar a credibilidade do STF. Trata-se de defender a Constituição e a República e de buscar a retomada da confiança da sociedade em suas instituições.
A sociedade civil gaúcha exige respostas, transparência e responsabilidade. Exige, igualmente, que as instituições tenham a coragem de reconhecer a gravidade do momento e promover as mudanças necessárias à recuperação da confiança pública.
O Brasil precisa retomar a plena institucionalidade. O Supremo Tribunal Federal precisa reafirmar, perante a sociedade, sua missão de guardião da Constituição e de instrumento de equilíbrio e pacificação da República”.
Demais rubricas
– Associação Brasileira de Advogados – Região Sul.
– Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas do RS.
– Associação das Advogadas e dos Advogados Criminalistas do Estado do RS.
– Associação dos Advogados Trabalhistas de Empresas no RS.
– Associação dos Procuradores do Município de Porto Alegre.
– Associação dos Servidores da Justiça do RS.
– Associação Riograndense de Imprensa.
– Conselho Regional de Administração do RS.
– Conselho Regional de Biologia da 3ª Região.
– Conselho Regional de Biomedicina da 5ª Região.
– Conselho Regional de Contabilidade do RS.
– Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 3ª Região.
– Conselho Regional de Educação Física da 2ª Região.
– Conselho Regional de Estatística da 4ª região.
– Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 5ª Região.
– Conselho Regional de Farmácia do RS.
– Conselho Regional de Fonoaudiologia – 7ª Região.
– Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul.
– Conselho Regional de Relações Públicas da 4ª Região.
– Conselho Regional de Serviço Social – 10ª Região.
– Conselho Regional de Medicina Veterinária do RS.
– Conselho Regional de Nutricionistas – 2ª Região.
– Conselho Regional de Psicologia do RS.
– Conselho Regional de Economia da 4ª Região.
– Conselho Regional de Técnicos em Radiologia da 6ª Região.
– Conselho Regional dos Técnicos Industriais do RS.
– Federação da Agricultura do Estado do RS.
– Federação das Câmaras de Comércio e Serviços do RS.
– Federação das Indústrias do Estado do RS.
– Federação de Entidades Empresariais do RS.
– Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do RS.
– Federação Varejista do RS.
– Instituto Brasileiro de Direito de Família.
– Instituto dos Advogados do RS.
(Marcello Campos)