Terça-feira, 06 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 5 de outubro de 2026
Dentre os resultados da votação do último domingo (4) em todo o País, um representa novidade na história brasileira das últimas décadas: a eleição de dois governadores oriudos do Exército: Luciano Zucco (PL) no Rio Grande do Sul e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, ambos vencedores no primeiro turno. Ambos são oficiais da reserva – o primeiro como tenente-coronel, o segundo no posto de capitão.
Tarcísio, 51 anos, e Zucco, de 52, guardam entre si outra particularidade: são da mesma turma da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), principal escola de formação de oficiais do Exército. Eles concluíram o curso em 1996.
Desde a retomada da escolha popular para o cargo, em 1982 (pouco mais de dois anos antes do fim da ditadura), nunca dois políticos oriundos da mais poderosa das Forças Armadas brasileiras ocuparam ao mesmo tempo a chefia de Executivos estaduais.
Zucco é da arma de Cavalaria, e Tarcísio, da Engenharia. Também integraram a turma o conselheiro Wagner Rosário, do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e ex-ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) nos governos de Michel Temer (2016-2018) e Jair Bolsonaro (2019-2022), bem como Arthur Lima, secretário estadual de Justiça de São Paulo.
Tarcísio e Zucco ingressaram na política na onda bolsonarista de 2018, mas naquela época já guardavam entre si uma diferença significativa. O primeiro, ao ser nomeado ministro da Infraestrutura por Jair Bolsonaro, tinha largado a farda para entrar no serviço público dez anos antes (2008). Já Zucco pulou dos quartéis direto para a política.
Além da bênção do então presidenciável, Zucco teve como principal padrinho em 2018 o general Hamilton Mourão (vice de Bolsonaro e hoje senador pelo Republicanos-RS), que antes mesmo de passar à reserva gravou um vídeo de apoio ao tenente-coronel, ambos fardados, contrariando as regras militares. O vídeo acabou removido das redes sociais de Zucco.
Outra diferença é que, nas duas primeiras eleições que disputou, Zucco lançou mão de sua patente, apresentando nas urnas como “Tenente-coronel Zucco”, mais uma vez contrariando as leis que regem os militares. Em 2018, foi o deputado estadual mais votado do Rio Grande do Sul, pelo PSL (partido de Bolsonaro e que seria posteriormente extingo, dando lugar ao PL) e passou automaticamente à reserva, conforme determina a legislação. Em 2022, já pelo Republicanos, foi o deputado federal mais votado do Rio Grande do Sul.
Antes de se lançar à política, Zucco atuou no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, no período de 2010 a 2016. Curiosamente, trabalhava na equipe responsável pela segurança presidencial durante o governo de Dilma Rousseff.
Filho de um capitão do Exército, o governador eleito do Rio Grande do Sul é irmão do general de divisão Marcelo Zucco, comandante da 2ª Divisão do Exército, com sede em São Paulo e subordinada ao Comando Militar do Sudeste. Outro irmão é do deputado estadual reeleito Rodrigo Zucco (Republicanos-RS), que nas urnas usa o nome de “Delegado Zucco” (é oriundo da Polícia Civil).
Nem Tarcísio nem Zucco declararam ao TSE serem militares ao informarem suas ocupações – o primeiro disse ser governador e o segundo, deputado. São exceções. Grande parte dos candidatos oriundos das Forças Armadas e das forças de segurança usam as patentes como apelo nas urnas.
Estatística
Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao menos 1.224 candidatos do pleito de 2026 integram ou já integraram as Forças Armadas ou forças de segurança (como as polícias militar e civil) ou optaram por mencionar na urna alguma patente ou referência a tais instituições. Isso representa 5,9% do total de postulantes.
O PL de Zucco, em primeiro, e o Republicanos de Tarcísio, em segundo, foram os dois partidos que mais lançaram candidatos militares e policiais nesta eleição. (com informações de O Globo)