Quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Eleições: partido de Bolsonaro recebe o maior valor de doações privadas; PT tem o maior número de doadores

Os partidos dos dois presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas das eleições 2026 lideram até o momento as doações de campanha privadas, vindas de pessoas físicas. Candidatos do PL, de Flávio Bolsonaro, receberam os maiores valores: R$ 49,2 milhões de 4.602 doadores. Já o PT, de Lula, agrega mais doações em quantidade: 7.251 doadores diferentes, que somam R$ 34,6 milhões.

A análise da Folha de S.Paulo considera as prestações de contas entregues ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até o dia 15, prazo da prestação parcial. Os candidatos podem arrecadar verba até o dia da eleição.

Quatro partidos concentram metade de todas as doações por pessoas físicas. Além de PL e PT, o PSD arrecadou R$ 36,4 milhões e o MDB, R$ 29,8 milhões. Até o momento, as 48.260 doações de pessoas físicas aos candidatos totalizaram R$ 299,6 milhões, 6% da receita arrecadada para as eleições 2026.

A maior parte do financiamento das campanhas (90%) vem do dinheiro público transferido pelos partidos, seja pelo fundo eleitoral ou partidário, que somam R$ 4,8 bilhões.

Entre os outros recursos disponíveis para os candidatos estão o financiamento coletivo pela internet e o financiamento próprio. Além disso, há R$ 74,9 milhões de origem privada que foram doados aos partidos em vez de diretamente aos candidatos, prática que vem sendo adotada para ocultar o elo eleitoral.

Desde que as doações empresariais foram proibidas, em 2015, interessados em doar devem fazer o repasse como pessoas físicas.

A lei permite que os valores das doações sejam de até 10% do rendimento bruto obtido pelo doador no ano anterior à eleição – a exceção é para a doação de bens móveis ou imóveis de sua propriedade no valor de até R$ 40 mil. As pessoas físicas podem doar recursos financeiros ou bens e serviços estimáveis em dinheiro.

Doadores

Os doadores individuais têm perfis muito diferentes, indo de centavos a doações milionárias, apoiando apenas um ou vários candidatos de espectros políticos diferentes.

Entre os 41.712 CPFs únicos que aparecem nas doações, 490 pessoas doaram mais de R$ 100 mil aos candidatos.

O maior doador é o empresário Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da calçadista Grendene. Ele repassou R$ 3,6 milhões para quatro postulantes, indo da direita (PDT, PL, PSDB) à esquerda (PSB).

O segundo nome da lista é o irmão gêmeo de Alexandre, o também empresário Pedro Grendene Bartelle. Ele apoiou seis candidatos, totalizando uma doação de R$ 2,4 milhões que abarcou nomes de partidos de diferentes espectros: PL, PSB, PSD, PSDB e PT.

Segundo a análise, 44% das pessoas físicas que doaram para mais de um candidato optaram por financiar candidaturas que seguem o mesmo espectro político.

É o caso da empresária do setor de alimentos Maria Consuelo Saraiva Leão Dias Branco. Ela doou R$ 2,1 milhões para dois candidatos: um do PSB e outro do PT.

Esta eleição contou, até o final do fechamento parcial de prestação de contas, com 234 doações que enviaram de R$ 0,01 a R$ 0,99 para os candidatos. Outras 229 foram de R$ 1.

Vaquinhas

Os financiamentos coletivos, ou “vaquinhas virtuais”, arrecadaram R$ 12,2 milhões para 959 candidatos que disputam todos os cargos disponíveis.

Esse modelo, autorizado pelo TSE, funciona em parceria com plataformas digitais que recebem doações individuais de apoiadores e, posteriormente, identificam os doadores à Justiça Eleitoral, com registro individual de valores, datas e formas de pagamento.

O candidato que mais se beneficiou dessa forma de apoio de campanha foi o presidenciável Renan Santos (Missão), fundador do MBL (Movimento Brasil Livre). Ele arrecadou R$ 1,92 milhão com sete vaquinhas diferentes que reuniram 36.364 doações únicas.

O segundo da lista é Marcel van Hattem (Novo), candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, que recebeu R$ 703 mil em uma vaquinha com 14 mil doações.

O terceiro colocado e maior representante da esquerda é o historiador Jones Manoel (PSOL-PE). O candidato à Câmara dos Deputados, que tem forte presença nas redes sociais, alcançou R$ 545 mil com a vaquinha de 13.680 contribuições.

Recursos próprios

Segundo a análise, 3.827 candidatos usaram recursos próprios para financiar suas campanhas eleitorais, totalizando um investimento de R$ 85,2 milhões.

O autofinanciamento de campanha – quando o próprio candidato arca com as despesas – é permitido pela Justiça Eleitoral, desde que a quantia investida respeite o limite correspondente a 10% do teto de gasto estabelecido para cada tipo de cargo em disputa.

Quem declarou a maior quantia de recursos próprios foi o candidato ao governo de Santa Catarina Gelson Merísio (PSB), com R$ 1 milhão. Essa foi, inclusive, a única fonte de recurso apresentada pelo candidato, que não declarou repasse do partido ou outras categorias.

Em 355 campanhas, os recursos dos candidatos representam 100% da renda alcançada. Entre eles estão cinco candidatos a governador, nove a senador, 78 a deputado federal e 263 a deputados estaduais e distritais.

Entre os presidenciáveis, o candidato Wilson Grassi (Democrata) também tem quase toda a campanha financiada com recursos próprios. Além dos R$ 565 mil do próprio bolso, declarou apenas mais uma doação de pessoa física de R$ 150. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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