Quinta-feira, 24 de setembro de 2026

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Crise no Supremo domina campanha eleitoral e esvazia debate sobre propostas

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) tomou o centro da campanha eleitoral e esvaziou o espaço para a discussão de propostas. Sem um desfecho, o desgaste do tribunal se prolonga e interfere nas estratégias dos candidatos à Presidência da República.

Na própria campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a avaliação é que Flávio Bolsonaro (PL) consegue explorar politicamente esse cenário e obter dividendos eleitorais enquanto o Supremo permanecer como foco da disputa.

A preocupação ajuda a explicar a defesa enfática, feita por uma ala da campanha, de que Lula se afaste cada vez mais da crise. Para esse grupo, o presidente precisa ir além das declarações de que todos devem ser investigados e cobrar a apuração de forma mais contundente.

Embora vários ministros sejam citados e tenham explicações a dar, a avaliação é que o desgaste está muito concentrado na figura do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.

A crise também atravessa uma estratégia que a campanha de Lula vinha tentando consolidar: fazer da soberania o assunto central da eleição.

A participação do presidente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), já estava prevista na agenda. A campanha, porém, busca transformar o evento em um ativo eleitoral, aproveitando o discurso e a exposição internacional para reforçar a imagem de Lula como estadista.

O material produzido durante a viagem pode abastecer a campanha e dar destaque a essa mensagem. No retorno ao Brasil, no entanto, o presidente volta a se deparar com uma crise no Supremo que continua sem solução e ocupa o debate político.

Do outro lado, Flávio tenta manter o desgaste do tribunal no centro da campanha. A estratégia busca atingir ministros vistos como mais próximos de Lula, entre eles Moraes.

Isso ocorre apesar de o próprio Flávio ainda não ter esclarecido o pedido de dinheiro feito ao então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o que seria a produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do pai, Jair Bolsonaro. Moraes também tem explicações a dar sobre contratos e relações com Vorcaro.

A permanência dessas questões sem esclarecimento alimenta a disputa eleitoral. Para a campanha de Lula, o risco é que o adversário continue capitalizando o desgaste do Supremo enquanto o presidente encontra dificuldade para impor os temas que gostaria de discutir. (Com informações da colunista Andréia Sadi, do portal g1)

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