Sábado, 11 de julho de 2026

Sábado, 11 de julho de 2026

Voto a favor da PEC da Blindagem causa bate-boca no PT e partido convoca reunião extraordinária

Após ouvir reclamações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e críticas nas redes sociais, o presidente do PT, Edinho Silva, convocou para essa quinta-feira (17) uma reunião do comando do partido.

A convocação se deu num momento em que petistas trocam farpas nos grupos de WhatsApp por causa da adesão de 12 deputados petistas à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Blindagem, que impõe obstáculos à abertura de processos contra parlamentares.

O texto prevê que investigações contra parlamentares só podem ser abertas no STF (Supremo Tribunal Federal) mediante aval de deputados e senadores, em votação secreta. Segundo relatos, Lula expôs sua irritação a Edinho e ministros do governo.

Nessa quinta, Edinho conduziu a reunião extraordinária do partido, que deverá apresentar nota contra a blindagem e a concessão de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. O partido deverá orientar a bancada do Senado a votar contra essas duas propostas, encampadas pelo centrão na Câmara dos Deputados.

A reunião ocorre um dia depois de integrantes da corrente CNB (Construindo um Novo Brasil) criticarem, no WhatsApp, o voto de parlamentares petistas à PEC da Blindagem, incluindo na exigência de votação secreta para autorização de processo contra deputados e senadores.

Questionados, os deputados tiveram que se justificar aos militantes. Presidente do PT em São Paulo, o deputado Kiko Celeguim classificou seu voto como um gesto amargo em favor de pautas de interesse do governo. Ele alegou ainda que seria um aceno para impedir a aprovação de anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Nós precisamos dos votos do centrão para aprovar as nossas pautas e eles precisavam de uma sinalização do PT para meio que reduzir os danos da aprovação dessa PEC”, justificou, acrescentando que ele e mais onze deputados do PT toparam fazer esse gesto amargo em nome do que entendem ser.

Vice-presidente do PT, o deputado Jilmar Tatto alegou ter votado em favor da PEC para evitar a aprovação de urgência para o projeto que estabelece anistia aos participantes dos atos golpistas — o que acabou acontecendo na quarta-feira (17).

“Votamos favorável para não votar a anistia”, justificou em resposta a críticas de dirigentes do partido.

Nas redes sociais e nos grupos, esses parlamentares são acusados de desgastar a imagem do partido. O deputado estadual Emídio de Souza (SP) foi um dos que manifestaram contrariedade, afirmando que a pior coisa para um partido como o PT é deixar a militância sem discurso e constrangida na sua atuação cotidiana.

Ele contestou o argumento de que a votação de petistas seria um gesto para que parlamentares do centrão deixassem de pressionar pela anistia a Bolsonaro. “Alguém que conhece o modus operandi do bolsonarismo e do centrão acredita mesmo que eles vão recuar na ideia da anistia? Mesmo a tal da anistia light (sem Bolsonaro) não precisa de negociação, porque o centrão não está interessado em anistiar JB porque querem Tarcísio (de Freitas) candidato”, reagiu.

“Sobre as nossas pautas, alguém crê que o centrão votaria contra redução do IR em ano pré-eleitoral? Ou contra zerar conta de energia para os mais pobres? Com isso eles, concordam. O que eles resistem é taxar os super ricos”, concluiu.

No partido, há também quem defenda “água na fervura”. É o caso do vice-presidente do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que, em vídeo, pregou pacificação, em diálogo com o Congresso e o centrão. (Com informações da Folha de S.Paulo)

Voltar

Compartilhe esta notícia:

A irritação de Lula com os deputados do PT que votaram a favor da PEC da Blindagem
Polícia Federal vê “fortes indícios” de que escritório de filho do presidente da Caixa Federal intermediou pagamento de propina
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programação Especial