Domingo, 28 de junho de 2026

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“Você faz parte disso”, disse sócio de Vorcaro ao líder do governo Lula sobre venda do Banco Master ao Banco de Brasília

O nome do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passou a figurar em uma nova frente das investigações relacionadas ao Banco Master. Conversas obtidas pela Polícia Federal e encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que o parlamentar manteve interlocução com pessoas envolvidas nas discussões sobre o futuro da instituição financeira, incluindo tratativas relacionadas à possível venda do banco ao Banco de Brasília (BRB).

Entre os diálogos analisados pelos investigadores está uma troca de mensagens envolvendo o empresário Augusto Lima, apontado como ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo os documentos reunidos pela Polícia Federal, Lima teria dito a Jaques Wagner que ele fazia parte das articulações relacionadas às negociações que envolviam o banco. A frase “você faz parte disso” passou a integrar os elementos examinados pela investigação.

As mensagens foram incluídas nos relatórios produzidos pela Polícia Federal e são tratadas como parte do esforço para compreender a rede de contatos estabelecida por pessoas ligadas ao Banco Master durante um período considerado estratégico para a instituição financeira. Os investigadores buscam esclarecer o contexto das conversas, o papel exercido pelos interlocutores e se houve alguma atuação política relacionada aos interesses do banco.

A possível venda do Banco Master ao BRB tornou-se um dos temas centrais das apurações. O negócio despertou atenção do mercado financeiro e de órgãos de fiscalização por envolver uma instituição financeira pública e por ocorrer em meio a questionamentos sobre a situação do banco privado. Nesse cenário, a Polícia Federal procura identificar se agentes públicos participaram de articulações que possam ter beneficiado interesses empresariais.

Embora as mensagens mencionem o líder do governo no Senado, não há até o momento denúncia formal ou acusação apresentada contra Jaques Wagner. A investigação segue em andamento e busca reunir elementos que permitam esclarecer a extensão dos contatos mantidos entre empresários, representantes do setor financeiro e autoridades políticas.

Nos bastidores de Brasília, o caso ganhou relevância devido à posição ocupada pelo senador. Além de liderar o governo no Senado, Wagner é considerado um dos interlocutores mais próximos do presidente Lula e participa frequentemente de negociações políticas consideradas estratégicas para o Palácio do Planalto.

Aliados do parlamentar afirmam que o diálogo com empresários, representantes do mercado e integrantes de diversos setores da sociedade faz parte da atividade política e não representa, por si só, qualquer irregularidade. Já os investigadores avaliam se os contatos identificados tiveram algum reflexo prático em decisões ou iniciativas de interesse do Banco Master.

A divulgação das mensagens acrescentou um novo componente político às investigações e ampliou a pressão sobre o governo federal. Os próximos desdobramentos da apuração deverão indicar qual o peso atribuído pela Polícia Federal às conversas envolvendo Augusto Lima, Daniel Vorcaro e o líder do governo no Senado.

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