Sexta-feira, 25 de setembro de 2026

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Você consegue imaginar o Instagram dizendo para um adolescente: “Já deu por hoje”? Entenda

Você consegue imaginar o Instagram dizendo para um adolescente: “Já deu por hoje”? Pois é exatamente isso que vai começar a acontecer nos EUA. Durante anos, boa parte da responsabilidade foi colocada sobre pais, crianças e adolescentes: estabelecer limites, desligar notificações, resistir à tentação, controlar o tempo de tela. Tudo isso continua sendo importante. Mas é difícil pedir autocontrole de uma criança diante de produtos construídos por algumas das melhores equipes de tecnologia do mundo para capturar sua atenção e prolongar seu engajamento.

É nesse ponto que o acordo americano encontra uma discussão que já está acontecendo no Brasil. O ECA Digital segue uma lógica semelhante: não coloca toda a responsabilidade sobre famílias e crianças, mas determina que as próprias plataformas mudem mecanismos de design que podem estimular o uso excessivo. A lei brasileira prevê, entre outras medidas, restrições à rolagem infinita e à reprodução automática de conteúdos.

A Meta também está tentando levar o acordo para toda a indústria. Parte do valor que ainda poderá pagar depende da adesão de outras empresas, como TikTok, YouTube e Snapchat. A empresa argumenta que adolescentes circulam por dezenas de aplicativos e que não adianta transformar apenas Instagram e Facebook.

É um argumento que faz sentido. Se uma plataforma reduz a capacidade de capturar a atenção e outra mantém intactos seus mecanismos de engajamento, o adolescente simplesmente pode migrar de uma para outra.

Mas é preciso comemorar que, pela primeira vez, de maneira contundente, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo está sendo pressionada nos Estados Unidos a mexer no próprio produto por causa da forma como ele afeta crianças e adolescentes.

O debate sobre redes sociais e infância não pode mais se resumir a ensinar crianças a usá-las melhor. Precisamos também discutir se é aceitável que produtos destinados a um público tão vulnerável sejam desenhados para dificultar que esses usuários se desconectem. Ou seja, se sabemos que o design de uma plataforma consegue capturar a atenção de uma criança, é claro que a responsabilidade de escapar disso não pode ser apenas dela. Com informações do portal Estadão.

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