Domingo, 18 de outubro de 2026

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“Vamos enterrar de vez a tabela SUS”, diz o ministro da Saúde sobre modelo que vigora há quase 30 anos

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), afirma que um eventual quarto mandato do presidente Lula vai “enterrar definitivamente” a tabela SUS, modelo de remuneração por procedimentos utilizado para pagar hospitais e clínicas que atendem a rede pública. Segundo ele, a tabela já deixou de ser referência para cerca de 1.500 procedimentos, substituídos por valores do programa Agora Tem Especialistas.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Padilha também prometeu entregar até o fim de 2026 o painel nacional das filas do SUS, que permitirá reunir informações sobre a espera por consultas, exames e cirurgias.

* O painel das filas do SUS será lançado até o fim do ano?

Teremos o painel. O Congresso aprovou a obrigatoriedade de estados e municípios apresentarem os dados, e com isso vamos ter o painel no final deste ano. Em paralelo, desenvolvemos com hospitais universitários federais e municípios uma ferramenta que permite marcar consultas, exames e cirurgias pelo celular e acompanhar a situação na fila.

* O painel permitirá que os pacientes acompanhem sua posição na fila?

A lei exige que estados e municípios forneçam informações que hoje não passam. As filas são dos municípios e dos estados, não do governo federal. Nos próximos quatro anos, vamos estimular que eles adotem a ferramenta, inclusive com recursos. Também vamos dar o exemplo nos hospitais universitários federais e nos hospitais do Grupo Hospitalar Conceição.

* Como reduzir a espera por exames e diagnósticos?

Com duas ações. A primeira é ampliar os equipamentos. As carretas de tomografia e ultrassom ficam 30 dias em cada região até zerar a fila. Chegaremos a 150 no fim do ano. Já foram realizados mais de 1 milhão de procedimentos. A segunda é o telediagnóstico. Criamos com o A.C.Camargo um centro de diagnóstico do câncer que recebe biópsias de todos os estados. Resultados que levavam seis ou sete meses agora saem em sete dias.

* Por que substituir a tabela SUS?

Vamos enterrar definitivamente a tabela SUS dos últimos 20 anos. Ela já não é parâmetro para cerca de 1.500 procedimentos cirúrgicos e exames. O modelo é antigo porque fragmenta o cuidado e paga por procedimento, quando é preciso pagar pelo resultado para o paciente. Não basta reajustar; é preciso enterrar esse modelo.

* Como funciona o financiamento do Agora Tem Especialistas?

O programa cria dois mecanismos. Um é a nova tabela, que paga de três a quatro vezes mais do que a antiga tabela SUS e exige a combinação de consulta, exame e tratamento ou cirurgia. O outro permite que hospitais privados troquem dívidas ou obtenham créditos tributários em troca de exames e cirurgias. Fechamos R$ 1 bilhão em contratos com hospitais privados neste ano, o que representa 1,2 milhão de procedimentos.

Diferentemente da tabela SUS, o programa considera as diferenças regionais de custos e necessidades, tanto no financiamento direto do ministério quanto nos créditos para hospitais privados.

* Como garantir os investimentos em saúde diante da necessidade de ajuste fiscal?

Só a eleição do presidente Lula garante a proteção do orçamento crescente da Saúde. O plano de Flávio Bolsonaro prevê corte de R$ 250 bilhões, e não há como cortar isso sem atingir a Saúde, que é o maior orçamento da União.

* O que muda no financiamento da atenção primária?

No segundo semestre de 2025, publicamos uma nova lógica de financiamento, que remunera por indicadores, inclusive pelo cumprimento de metas. Também estamos ampliando a capacidade de atendimento das unidades, com equipamentos para exames, fisioterapia e outros serviços. Compramos 10 mil conjuntos de equipamentos para unidades básicas e criamos equipes dedicadas a idosos que não conseguem sair de casa.

* O acesso a medicamentos de alto custo será ampliado?

O orçamento dos medicamentos especializados passou de cerca de R$ 13 bilhões para mais de R$ 27 bilhões, permitindo incorporar mais de 160 novos medicamentos. Nos próximos quatro anos, queremos levar exames e consultas ao Farmácia Popular, que hoje atende 27 milhões de pessoas. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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