Sábado, 04 de julho de 2026

Sábado, 04 de julho de 2026

Roubalheira nas aposentadorias: ex-presidente do INSS é preso e ex-ministro de Bolsonaro usará tornozeleira eletrônica após operação da Polícia Federal

O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, preso pela Polícia Federal (PF) na quarta fase da Operação Sem Desconto nessa quinta-feira (13), passou a receber uma propina de R$ 250 mil mensais de uma das entidades investigadas pelo esquema de descontos ilegais nas pensões de aposentados depois de assumir o comando do instituto vinculado ao Ministério da Previdência Social.

A informação consta na representação da PF que embasou a operação. Os valores eram pagos pela Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) por meio de empresas de fachada.

A investigação apurou que a propina paga ao Stefanutto aumentou substancialmente depois que ele foi indicado para a cúpula do órgão pelo então ministro Carlos Lupi. Até então, de acordo com as investigações, Stefanutto recebia de R$ 50 mil a R$ 100 mil mensais da Conafer.

O ex-dirigente é servidor da Receita Federal e foi procurador-geral federal especializado do INSS entre 2011 e 2017, ano em que a Conafer firmou o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que serviu como base para os descontos sem a anuência dos pensionistas do INSS. Até o início do governo Lula, ele atuava como procurador federal na Advocacia-Geral da União (AGU).

Para a PF, os repasses ao então presidente do INSS se deram em razão de sua influência no setor. Após a deflagração da primeira fase da Sem Desconto pela PF, em abril, Stefanutto foi afastado do cargo pela Justiça e acabou demitido em seguida por ordem de Lula, embora Lupi tenha atuado para mantê-lo à frente do instituto e o defendido publicamente.

De acordo com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso e que autorizou a operação, as investigações da Polícia Federal apontaram indícios de que Alessandro Stefanutto “exerceu papel de facilitador institucional do grupo criminoso dentro do INSS, tendo sido procurador-chefe e, posteriormente, presidente da autarquia”.

Ainda segundo o Supremo, Stefanutto “integrava o núcleo político-institucional, que tinha por objetivo garantir o funcionamento e a impunidade do esquema fraudulento, mediante atuação dentro do próprio órgão público” e, nesse sentido, atuou para viabilizar “administrativa e juridicamente a continuidade do convênio irregular mantido entre o INSS e a Conafer”.

A PF também prendeu o diretor da Conafer, Tiago Abraão Ferreira Lopes, e outros dois alvos ligados à entidade.

A operação da PF também cumpriu mandados de prisão contra Antônio Carlos Antunes Camilo, o “Careca do INSS”, apontado como principal liderança do esquema e que já estava preso desde setembro, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e de André Paulo Felix Fidelis, que foi diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do instituto.

Houve ainda mandados de busca e apreensão contra o ex-ministro do Trabalho e da Previdência no governo Jair Bolsonaro José Carlos Oliveira, que passará a usar tornozeleira eletrônica por determinação da Justiça, e o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), presidente da legenda no estado. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Ex-ministro de Bolsonaro recebeu propina e foi “estratégico” para blindagem do esquema do INSS
Bolsonarismo repete “avalanche de candidatos” de Santa Catarina com impasse pelo Senado no Distrito Federal
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa As Mais Pedidas