Quinta-feira, 05 de novembro de 2026

Quinta-feira, 05 de novembro de 2026

Procuradoria-geral da República cita precedente de ministro Fux para defender retirada de investigação sobre Lulinha do Supremo e que caso não tem relação com fraude no INSS

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que a investigação sobre a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e da empresária Roberta Luchsinger na suposta promoção de interesses do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, seja retirada do Supremo Tribunal Federal (STF) e enviada à primeira instância.

Em parecer apresentado ao ministro André Mendonça, relator do inquérito, a PGR citou um precedente de 2024, relatado pelo ministro Luiz Fux, segundo o qual a simples menção ao nome de uma autoridade com foro privilegiado não é suficiente para levar uma investigação a um tribunal superior.

De acordo com o entendimento da Primeira Turma do STF, é necessário haver indícios de participação “ativa e concreta” da autoridade nos crimes investigados. Para a PGR, esse requisito não está presente no caso envolvendo Lulinha.

O precedente citado é a Reclamação 69.164, relatada por Fux. Na ocasião, o Supremo entendeu que diligências preliminares podem ser realizadas para verificar a existência de elementos que justifiquem uma investigação contra uma autoridade com foro. A Corte também afirmou que informações “fluidas e dispersas” ou a simples citação do nome de uma autoridade não são suficientes para alterar a competência do processo.

Segundo a PGR, a jurisprudência do STF exige “elementos concretos da efetiva participação” de uma autoridade com prerrogativa de foro nos crimes apurados. O órgão afirma que nem a “simples referência nominal” nem a possibilidade abstrata de envolvimento atendem a esse requisito.

A investigação apura suspeitas de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Além de Lulinha e Roberta, são investigados o “Careca do INSS”, Fernando Bittar, Gustavo Marques Gaspar, Marco Aurélio Santana Ribeiro e Swedenberger do Nascimento Barbosa.

De acordo com a manifestação, Roberta e Lulinha teriam atuado para promover interesses empresariais de Antunes no mercado de canabidiol junto ao governo federal, realizando gestões perante autoridades administrativas.

A PGR afirma que foram identificados pagamentos de Antunes a Roberta, mas ressalta que a representação da Polícia Federal não aponta a conclusão de negócio entre o empresário e o poder público que tenha demonstrado o efetivo atendimento das demandas que seriam intermediadas.

Investigação do INSS

Outro argumento apresentado pela PGR é a inexistência de conexão entre os fatos e a Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

Segundo a Procuradoria, a operação tem como foco organizações criminosas envolvidas na apropriação de recursos retirados irregularmente de benefícios previdenciários, o pagamento de vantagens a agentes públicos e a ocultação dos valores obtidos.

Para o órgão, as suspeitas relacionadas ao mercado de canabidiol não têm relação com esse conjunto de crimes. A manifestação afirma não existir “nenhuma conexão lógica de causa e efeito, tampouco instrumental” entre as duas apurações.

A única ligação, segundo a PGR, é que os elementos que deram origem ao novo inquérito foram encontrados no celular de Roberta Luchsinger, apreendido durante a Operação Sem Desconto. Para a Procuradoria, essa circunstância é uma “mera casualidade” e não justifica a manutenção das investigações no STF.

Atualmente, Fux integra a Segunda Turma do Supremo, colegiado que poderá analisar eventual recurso relacionado ao caso. Também fazem parte da turma André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes.

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Lula liga para Trump e afirma que alegações para tarifaço são “infundadas”
“Deserto feito de água”, diz Nasa sobre imagem dos Lençóis Maranhenses vista do espaço
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa As Mais Pedidas