Quarta-feira, 13 de maio de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 9 de maio de 2026
O governo do Estado promoveu, na quinta-feira (7/5), em Eldorado do Sul, a “1ª Oficina: lideranças rurais e o que fazer nos desastres”, fruto do projeto “Uma só saúde na agropecuária: diagnóstico e resiliência a desastres no contexto das mudanças climáticas no Estado do Rio Grande do Sul”.
O evento ocorreu no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF) do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi).
A “1ª Oficina: lideranças rurais e o que fazer nos desastres” teve a finalidade de reconhecer os riscos que afetam a agricultura familiar e construir um plano comunitário de preparação e resposta a desastres. Foi ministrada pelo CEO e fundador da Hopeful, Abner Quintino de Freitas.
“Hoje, a teoria e a prática se referem à construção de planos de contingências para famílias rurais”, comentou. Freitas salientou a importância de identificar as ameaças que tornam uma comunidade vulnerável. Após essa etapa, roteirizar as necessidades para a situação. “O plano de contingência é o roteiro sobre como agir numa ocorrência de desastres. São três encontros até a gente construir esse plano para o setor rural. Depois, cada participante poderá replicar isso em sua comunidade”, explicou.
A empresa Hopeful é uma startup membro do Parque Científico e Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Desde 2017, atua na capacitação de indivíduos e instituições para que saibam como agir antes, durante e após desastres.
Produtores e líderes rurais do Rio Grande do Sul aprenderam sobre prevenção, adaptação e mitigação dos impactos de desastres causados por eventos meteorológicos extremos no primeiro de três encontros previstos no projeto.
A iniciativa é coordenada pelo DDPA/Seapi e tem a colaboração de instituições de pesquisa, saúde pública, universidades e extensão rural, entre elas a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul e Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Emater/RS-Ascar). A próxima oficina ocorrerá em 14 de maio, às 14h, na Câmara de Vereadores de Agudo.
Coordenador do projeto, pesquisador e diretor do IPVDF, José Reck frisou que a oficina tem um significado especial: “Poder ofertar esse serviço para a comunidade atingida pela enchente de 2024 é muito importante. Porque o nosso Instituto também foi gravemente atingido, nossos funcionários tiveram as vidas afetadas. A gente viveu essa situação juntos”.
Ele relatou que, logo depois da enchente, servidores do IPVDF começaram a se reorganizar para a realização de atividades em parceria com comunidades atingidas:
“Surgiu então uma oportunidade, a partir de um apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul [Fapergs], de fazer um projeto que envolvesse a questão de resiliência climática, as áreas atingidas e propostas para poder dar uma resposta a esses acontecimentos”.
O projeto envolve uma série de ações, como visitas a propriedades rurais e comunidades atingidas, acrescenta: “Foram feitas entrevistas, coletas de amostra, diagnóstico da situação da saúde dos animais afetados pela enchente, dos animais sobreviventes e dos que perderam os animais. Estamos fazendo um grande diagnóstico de situação. Além disso, várias análises de solo, para que as práticas rurais tornem as propriedades mais resilientes”.
A equipe teve contato com estratégias de outros lugares do mundo em relação a tragédias climáticas. Cidades afetadas fazem oficinas com especialistas na área de reconstrução e resiliência para falar com as comunidades, mas isso nunca era focado no público rural.
“Propusemos esse desafio de tentar construir uma oficina de reconstrução, mas que tivesse um olhar para o público rural, destinada a produtores afetados, líderes comunitários, representantes das agências de extensão, das defesas civis que estão dentro de áreas rurais”, prosseguiu. “A ideia é elaborar um material de referência também para outras comunidades, de modo que outras agências e instituições possam replicar o conhecimento em futuro breve.”
Enfrentamento
A coordenadora-adjunta do projeto e bióloga do IPVDF, Ludmila Baethgen, contou que a iniciativa partiu da necessidade de entender e enfrentar os impactos que os eventos meteorológicos extremos têm causado no Rio Grande do Sul, especialmente depois das enchentes de 2024:
“A proposta reúne pesquisadores, universidades, órgãos públicos e instituições parceiras para atuar de forma integrada, pensando na saúde das pessoas, dos animais, do meio ambiente e da produção agropecuária”.
Ludmila destacou que uma das frentes do projeto é a educação e a preparação das comunidades rurais para situações de desastres: “Essa oficina faz parte desse trabalho. A ideia é construirmos esse conhecimento junto com os produtores e lideranças rurais, compartilhando experiências e discutindo formas de prevenção, preparação e resposta frente a eventos extremos que infelizmente têm se tornado cada vez mais frequentes”.
(Marcello Campos)