Quinta-feira, 23 de julho de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 22 de julho de 2026
Javier Tebas fez duras críticas à Fifa e a seu presidente, Gianni Infantino. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, da Itália, o dirigente da LaLiga apontou supostos erros na organização da Copa do Mundo.
“A Fifa faz as coisas como bem entende, para os seus próprios interesses, não para o futebol. Se eles precisam de um intervalo de 27 minutos, eles terão. As pausas para hidratação são uma farsa. Nós as temos na LaLiga, mas só quando está realmente calor. Era mentira, uma pausa para publicidade. E depois houve o caso Balogun. Isso prova que somos governados por uma instituição que faz e decide o que quer, quando quer, seguindo apenas os seus próprios interesses, sem considerar e nem sequer consultar o resto do futebol. E, em muitos casos, age em detrimento do futebol.”
O presidente da LaLiga reforçou a relevância da anulação da expulsão de Balogun, atacante dos Estados Unidos. Para Tebas, o fato de a seleção norte-americana ter sido derrotada pela Bélgica, nas oitavas de final, apesar de contar com o atacante, “pode ter salvado o emprego de Infantino”. Tebas também criticou a possibilidade de a próxima Copa do Mundo ser disputada por 64 seleções.
“Já expressamos repetidamente nossas preocupações sobre o calendário. E agora eles querem uma Copa do Mundo com 64 seleções. Aumentar o número de seleções nacionais não faz sentido. A indústria do futebol não se resume à Copa do Mundo, que é o evento mais importante. Mas nem tudo pode girar em torno da Copa do Mundo. São as competições nacionais que sustentam este esporte. Estão destruindo a indústria do futebol, que gera dezenas de milhares de empregos, por um evento que dura 40 dias e envolve uma minoria de jogadores”, destacou o dirigente.
“Na minha opinião, sim (se Gianni Infantino deveria renunciar), acho que ele já cumpriu seu papel. Mas ele tem o apoio do sistema, das federações; não há muito mais a acrescentar, não é? Não há um candidato da oposição, ninguém quer se candidatar para perder. Esse é o sistema, e é um sistema doente desde a raiz. Ele não deveria ficar, mas a situação atual faz com que ele não saia. Nestes últimos dias, aqui nos Estados Unidos, ouvi muitas pessoas contrárias a Infantino, que não concordam com o que ele faz. Elas dizem isso, mas depois não fazem nada. Não sei o que é pior: o silêncio ou a cumplicidade, porque quem fica calado está perfeitamente ciente do dano que o futebol está sofrendo”, concluiu Javier Tebas.
A próxima edição da Copa do Mundo será disputada em 2030 e terá Espanha, Portugal e Marrocos como sedes principais da fase final do torneio.