Quarta-feira, 04 de novembro de 2026

Quarta-feira, 04 de novembro de 2026

Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em novembro

A Petrobras aumentou em 7,2% o preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras desde domingo (1º). O reajuste representa um acréscimo de R$ 0,45 por litro em relação aos valores praticados em outubro e ocorre após outra elevação expressiva no mês anterior, quando o combustível teve alta média de 11,76%.

O combustível é utilizado por aviões e helicópteros e representa uma parcela significativa dos custos operacionais das companhias aéreas. A sequência de aumentos amplia a pressão sobre o setor, que já enfrenta dificuldades diante das oscilações internacionais dos preços de energia e dos combustíveis.

Segundo a Petrobras, a elevação está relacionada ao aumento das cotações internacionais do querosene de aviação. A estatal atribui o movimento à intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio e à redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia em decorrência do conflito entre os dois países.

A companhia informou que os reajustes praticados no mercado brasileiro permanecem abaixo das variações observadas internacionalmente. Enquanto em outros mercados os preços podem sofrer alterações diárias, no Brasil a atualização ocorre mensalmente.

A Petrobras também destacou que utiliza uma fórmula paramétrica prevista nos contratos de fornecimento, mecanismo que procura reduzir os impactos das oscilações de curto prazo das cotações internacionais. Segundo a empresa, essa metodologia permite que os reajustes sejam mais moderados do que aqueles registrados no exterior.

O aumento deste mês, entretanto, ocorre na sequência de duas elevações consecutivas. Em outubro, o querosene de aviação havia registrado reajuste médio de 11,76%, correspondente a aproximadamente R$ 0,65 por litro. Com a nova alta, as empresas aéreas precisam absorver mais um aumento em um dos principais componentes de suas despesas.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que a participação do querosene de aviação nos custos operacionais das companhias brasileiras passou de aproximadamente 30% para mais de 45% desde o início dos conflitos no Oriente Médio.

O peso do combustível nas despesas do setor está relacionado tanto ao preço internacional do petróleo quanto às condições de produção, refino e distribuição. Como as companhias precisam abastecer suas aeronaves continuamente, as alterações no valor do QAV podem afetar o planejamento financeiro e a rentabilidade das operações.

Embora o reajuste seja aplicado inicialmente às distribuidoras, os efeitos podem chegar aos consumidores por meio dos preços das passagens aéreas. A intensidade desse repasse depende de fatores como concorrência entre empresas, demanda por voos, ocupação das aeronaves, custos operacionais e estratégias comerciais das companhias.

A Petrobras tem participação de aproximadamente 85% na produção nacional de querosene de aviação. Apesar disso, o mercado brasileiro é aberto à concorrência, permitindo que outras empresas também atuem na produção e na importação do combustível.

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