Domingo, 05 de julho de 2026

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Parlamentares querem ouvir suspeito de desvios em aposentadorias nesta segunda

A CPI do INSS vai pedir ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a condução de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, para depor ao colegiado nesta segunda-feira (15). A convocação dele para depoimento já estava aprovada pela CPI, mas Careca e o empresário Maurício Camisotti, suspeitos de participarem de fraudes envolvendo o instituto, foram presos na sexta-feira (12).

A ação, determinada pelo STF, é um desdobramento da Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Investigadores identificaram risco de fuga e indícios de ocultação patrimonial.

Por identificar o risco de fuga de Careca e Camisotti, a CPI já havia aprovado, no início do mês, um requerimento endereçado ao Supremo no qual pedia a prisão preventiva e a quebra de sigilo deles e de outros suspeitos citados em investigações da Polícia Federal. O presidente da CPI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), precisou pedir à Polícia Legislativa a intimação dos dois presos desta sexta-feira, diante da dificuldade de encontrá-los. Segundo o jornal O GLOBO, Careca pretendia se manter em silêncio durante seu depoimento. Anteriormente, ele cogitou fazer um acordo de delação premiada.

“A CPI já tinha pedido a prisão desses alvos. Para nós, a prisão deles fortalece os trabalhos do colegiado. A advocacia do Senado vai peticionar o André Mendonça para a liberação deles para depoimento”, afirmou o relator da CPI, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

Careca do INSS é apontado como operador central, responsável por intermediar as relações entre associações fraudulentas e servidores públicos. Relatórios da PF indicam que Antunes movimentou R$ 53 milhões em valores oriundos de entidades sindicais e empresas relacionadas, muito acima da renda mensal de R$ 24 mil que declarava oficialmente.

As investigações revelaram que os envolvidos praticaram “os crimes de impedimento ou embaraço de investigação de organização criminosa, dilapidação e ocultação de patrimônio, além da possível obstrução da investigação por parte de alguns investigados.” Ao todo, segundo a PF, “estão sendo cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo e no Distrito Federal”.

Após ser preso, Antunes foi levado para a Superintendência da PF em Brasília. De acordo com a investigação, ele teria movimentado R$ 9,3 milhões em repasses destinados a pessoas ligadas a servidores do INSS, entre 2023 e 2024. Procurada, a defesa do empresário não se manifestou até o momento. As informações são de O Globo.

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