Quarta-feira, 08 de julho de 2026

Quarta-feira, 08 de julho de 2026

Para sair de crise, necessária a venda de 700 lojas e fundo imobiliário: o que os Correios planejam para adiar insolvência financeira

Além de recuperar a situação financeira da empresa, a atual direção dos Correios vê como urgente a implementação de um plano de melhoria operacional.

Em mais uma tentativa de reestruturação, a estratégia elaborada pela equipe do atual presidente da companhia, Emmanoel Rondon, prevê a redução significativa de despesas fixas, que abrange o fechamento de cerca de 700 agências e unidades logísticas, além do desligamento de 10 mil funcionários por meio de um plano de demissão voluntária (PDV).

Outra aposta do plano de reestruturação da companhia é a formação de um fundo imobiliário, desenhado pela Caixa, com os ativos que a empresa possui — são 2.366 imóveis avaliados em R$ 5,4 bilhões. A ideia é vender imóveis, receber os recursos e depois alugá-los.

A direção dos Correios não descarta incluir até mesmo o prédio que hoje abriga a sede da estatal, em Brasília.

O plano de melhorias operacionais é um dos pilares da estratégia do governo para recuperar os Correios sem a necessidade de fazer aporte de recursos públicos. A estratégia está em fase final de elaboração e é tratada pela gestão federal como condicionante para que a União possa dar garantias para um empréstimo pleiteado pela estatal junto a instituições financeiras.

Um dos alvos para reduzir custos fixos é acabar com áreas e departamentos com mão de obra ociosa e agências e unidades de logística com sobreposição, ou seja, que ficam em locais próximos uns dos outros e que possam absorver a demanda.

A empresa prepara um estudo e avalia ser preciso uma análise de inteligência, que vá além do raio de distância de um ponto a outro, mas também avalie a rentabilidade daquela unidade.

O corte de despesas com folha salarial também é um dos principais desafios da nova direção dos Correios. No último PDV, de um público potencial de 8 mil funcionários que manifestou interesse em se desligar da empresa, apenas 3,6 mil fizeram a adesão.

A avaliação na atual direção da empresa é que, desta vez, será necessário oferecer condições para chegar à meta de 10 mil desligamentos. A ideia é convencer esses trabalhadores de que será vantajoso deixar a empresa com o PDV. A meta é reduzir a folha salarial em R$ 2 bilhões por ano.

Há preocupação da atual direção da estatal com a negociação em andamento sobre um acordo coletivo com duas grandes confederações de trabalhadores. Durante o governo anterior, quando a estatal foi incluída em um plano de privatização, algumas cláusulas trabalhistas foram suspensas, sendo depois recompostas na atual gestão. O plano agora é rever esses benefícios.

 

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