Segunda-feira, 15 de junho de 2026

Segunda-feira, 15 de junho de 2026

ONU adia votação sobre uso de força no Estreito de Ormuz

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas adiou para semana que vem a votação da resolução que libera o uso da força dentro e ao redor do Estreito de Ormuz para proteger a navegação comercial no canal, segundo disseram diplomatas da ONU neste sábado (4).

A resolução estipula que países podem usar “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial no estreito, um dos grandes pontos de tensão da guerra no Oriente Médio. Caso aprovada, a medida será o primeiro aval da ONU ao uso da força no conflito.

Situado na costa do Irã, o Estreito de Ormuz é um dos principais corredores marítimos para a navegação de petróleo mundial. Por lá, passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo, vindo de grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Catar.

O estreito tem sido um dos grandes pontos de tensão da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que controla a maior parte do canal e tem atacado navios que passam por lá, além de implantar minas navais. A crise tem causado altas históricas no preço do barril de petróleo, que chegou a US$ 109 na quinta-feira (2).

A China, que tem poder de veto, já disse ser contra qualquer autorização do uso da força — embora tenha adotado uma postura neutra na guerra, Pequim costuma mostra alinhamento pragmático com Irã, de quem é o principal comprador de petróleo. França e Rússia, que também podem barrar votações por serem membros permanentes do conselho, já indicaram oposição à medida.

Na tentativa de um acordo, diplomatas adiaram para a semana que vem a votação, inicialmente marcada para esta sexta-feira e depois remarcada para este sábado (4). Em uma das manobras para tentar o apoio de China e Rússia, o Bahrein, país que propôs a resolução, já retirou do texto uma referência à aplicação obrigatória da medida. O esboço final autoriza o uso da força “por um período de pelo menos seis meses (…) e até que o Conselho decida de outra forma”.

Atual presidente do Conselho de Segurança, o Bahrein é também um dos países do Golfo Pérsico que têm sido alvos diários dos ataques retaliatórios do Irã. O chanceler do país, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, pediu aos membros uma “posição unificada deste estimado conselho”. Os Estados Unidos — que também têm poder de veto — e os outros países do Golfo já disseram que votarão a favor.

Antes mesmo da votação, no entanto, o Irã já criticou a medida. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que uma aprovação do uso da força por parte da ONU será considerada “uma ação provocativa”.

“Qualquer ação provocativa por parte dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU, em relação à situação no Estreito de Ormuz, só irá complicar ainda mais a situação”, declarou Araghchi.

 

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