Domingo, 16 de agosto de 2026

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Ofensiva russa contra navios de grãos ameaça abastecimento global

Enquanto famílias passeavam por um calçadão na cidade portuária ucraniana de Odessa, um navio cargueiro solitário navegava ao longe. De repente, um drone caiu do céu e atingiu a embarcação, lançando uma nuvem de fumaça no horizonte. O ataque, no fim de julho, fez parte de uma campanha russa contra navios de carga que paralisou quase toda a navegação de entrada e saída de Odessa, o elo crucial da Ucrânia com a economia mundial.

A campanha russa na Ucrânia, um dos principais produtores de grãos, como trigo, milho e cevada, que ocorre no início da temporada de colheita, pode desestabilizar as cadeias globais de abastecimento alimentar.

Em 2022, durante os primeiros meses da guerra, a Rússia impôs um bloqueio aos portos ucranianos, causando um aumento acentuado nos preços globais dos alimentos e colocando cerca de 70 milhões de pessoas em maior risco de insegurança alimentar. “A Rússia está à caça dessas embarcações”, disse Dmitro Barinov, presidente da Associação de Portos da Ucrânia. “É uma caçada profissional a embarcações civis.”

Os ataques russos representam o capítulo mais recente de uma longa batalha pelo Mar Negro e pelo Mar de Azov. Novas armas que permitem atingir alvos com precisão a grandes distâncias tornaram os navios de carga, de movimento lento, alvos fáceis. Em junho e julho, as forças russas atacaram pelo menos 50 navios de carga, segundo autoridades ucranianas, matando mais de 30 civis.

A Ucrânia também tem atacado sistematicamente petroleiros e navios de carga ligados à Rússia. A campanha marítima de Moscou parece ser uma resposta à dizimação, por parte da Ucrânia, da frota russa de petroleiros fluviais e marítimos no Mar de Azov e aos contínuos ataques de Kiev a navios que transportam mercadorias russas, o que deixou a Crimeia ocupada isolada e com escassez de combustível.

O mais recente grande ataque da Ucrânia ocorreu antes do amanhecer de quarta-feira, quando suas forças atacaram o porto russo de Novorossiysk, no Mar Negro, com drones a jato, mísseis e sistemas navais não tripulados, segundo o presidente Volodmir Zelenski. Posições de defesa aérea, cais e infraestrutura portuária foram atingidos, disse ele.

Três pessoas morreram, incluindo uma criança de 8 anos. Andrei Kravchenko, prefeito da cidade, importante centro de exportação de grãos, declarou estado de emergência.

Ponto crítico

A escalada do conflito entre a Rússia e a Ucrânia é um ponto crítico em um fenômeno global mais amplo que ameaça um dos princípios fundamentais da ordem internacional: a liberdade de navegação.

Esse sistema marítimo, que sustenta o comércio global moderno, está sob pressão, uma vez que atores estatais e não estatais utilizam cada vez mais drones, mísseis antinavio e minas para interromper rotas, particularmente em locais como o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz. O estreito, uma importante via de escoamento para petróleo e gás, está efetivamente fechado desde que os EUA e Israel atacaram o Irã, em fevereiro.

Em Odessa e em outros dois portos próximos, o bloqueio russo pode reter milhões de toneladas de grãos. Os três portos representam cerca de 60% da receita total mensal de exportação da Ucrânia, que é de US$ 3,5 bilhões. O Conselho Agrícola Ucraniano alertou para uma possível onda de falências e solicitou empréstimos emergenciais.

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