Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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O peso das finanças para a saúde mental: quando as contas não estão em dia, estado de alerta constante vira ameaça

Oito em cada dez pessoas com problemas de saúde mental apontam que dificuldades financeiras tiveram participação relevante no desenvolvimento ou no agravamento de seu quadro psicológico. É o que revela uma pesquisa inédita feita pela Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), em parceria com o Instituto Axxus. Foram ouvidos mil brasileiros com diagnósticos formais de ansiedade, depressão, estresse crônico ou síndrome de burnout. O dado é confirmado na prática clínica, segundo Renata Alves Paes, do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

— Quando você começa a puxar o fio, o dinheiro está lá na origem de boa parte do sofrimento. A instabilidade financeira mantém a pessoa em estado de alerta praticamente constante, o corpo interpreta como ameaça à sobrevivência, e esse estresse crônico é um dos maiores fatores de adoecimento emocional — explica a professora.

Entre os desafios enfrentados atualmente pelos brasileiros ouvidos na pesquisa estão a dificuldade para pagar contas básicas (69,4%), a existência de dívidas (61,2%), a renda insuficiente para cobrir as necessidades do dia a dia (53,6%) e o desemprego (31,1%). É um cenário desafiador, diz Eduardo de Brito, professor de Contabilidade da Universidade Federal Fluminense (UFF).

— Existe uma crise financeira geral. Por mais que existam postos de emprego, a média salarial não é boa. Temos uma inflação mais ou menos controlada, mas que é medida com base em itens de cesta básica. A inflação real é maior do que a medida de forma restritiva pelas estatísticas oficiais — afirma Brito: — Mas, além das questões estruturais da economia que impactam no endividamento, existem questões pessoais como falta de controle e consumo sem consciência.

Saúde mental é principal preocupação em relação à saúde para 58% dos brasileiros

Uma pesquisa realizada pela Ipsos Brasil mostra que a saúde mental é o principal problema de saúde percebido pelos brasileiros.

A Ipsos realizou o Monitor da Saúde 2026 (Ipsos Health Service Report 2026) por meio da plataforma online Global Advisor, entre 13 de julho e 7 de agosto de 2026. Foram entrevistados 22.528 adultos em 32 países, incluindo aproximadamente mil participantes no Brasil.

Estresse (29%), abuso de drogas (27%), obesidade (25%), abuso de álcool (18%), diabetes (17%) e doenças cardíacas (15%) completam a lista de preocupações em relação à saúde para os brasileiros. Os resultados refletem a percepção da população, e não a incidência ou a prevalência dessas condições no país.

O levantamento mostra um avanço da preocupação dos brasileiros com a saúde mental. No ano passado, pesquisa semelhante realizada pelo mesmo instituto apontou que 52% dos entrevistados consideravam o tema um dos principais problemas de saúde do país.

O percentual atual, de 58%, coloca o Brasil acima da média global, de 48%. Alemanha e Colômbia também registram 58%. O Chile lidera o ranking (75%), seguido pela Suécia (70%). (Com informações dos portais Extra e Folha de S. Paulo)

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