Segunda-feira, 06 de julho de 2026

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O governo Lula ainda enfrenta divergências internas e bate cabeça sobre como reagir à operação policial do Rio contra o Comando Vermelho

O governo Lula ainda enfrenta divergências internas e bate cabeça sobre como reagir à operação policial do Rio contra o Comando Vermelho, que deixou ao menos 121 mortos. Munido de monitoramentos de redes sociais indicando que, até agora, a direita ganhou a batalha da comunicação nessa crise, o Palácio do Planalto tenta se livrar da máxima de que o PT defende direitos humanos dos bandidos.

Ao mesmo tempo, uma ala influente do partido vai insistir para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva separe as atribuições de segurança pública da pasta da Justiça, caso seja reeleito, em 2026.

“Nós erramos ao não criar o Ministério da Segurança Pública”, tem dito o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que concorrerá a deputado federal. Antes mesmo de ocupar a vice-presidência, Geraldo Alckmin (PSB) também se posicionava a favor da divisão do ministério. A proposta, porém, não tem acordo dentro do governo.

Preocupado em não deixar que a direita ganhe cada vez mais protagonismo nas discussões sobre o avanço do crime organizado, Lula assinou na tarde de sexta-feira o projeto de lei antifacção, encaminhado no mesmo dia ao Congresso. Não foi só: pediu urgência ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para a votação do pacote de medidas.

O projeto prevê o endurecimento de penas para líderes de facções e infiltração de policiais em empresas suspeitas de lavar o dinheiro do crime, além da criação do Banco Nacional de Organizações Criminosas .

A portas fechadas, o presidente classificou o “Consórcio da Paz”, anunciado na quinta-feira por governadores de direita, como um movimento da oposição para fazer “pirotecnia” eleitoral em cima de um banho de sangue.

O Planalto atua agora para reverter um cenário desfavorável e desconstruir a estratégia de governadores do campo adversário. Quando manifestaram solidariedade ao colega do Rio, Cláudio Castro (PL), chefes estaduais do Executivo acusaram Lula de omissão e encontraram uma pauta própria.

Pela primeira vez, o grupo se descolou da agenda de uma nota só, até hoje focada na defesa da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe.

Diante da tragédia no Rio, Lula viu a direita sair das cordas logo após ele recuperar popularidade e ganhar pontos ao se reunir na Malásia com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciando negociações sobre o tarifaço imposto aos produtos brasileiros.

O massacre nos complexos do Alemão e da Penha, no entanto, fez o bolsonarismo jogar novamente os holofotes sobre a declaração de Lula de que traficantes também “são vítimas dos usuários”.

Nesse cenário de disputa, a ordem no Planalto foi dar destaque a todas as medidas adotadas pelo presidente para combater a violência e o crime organizado e tirar do papel o que estava engavetado. Além disso, entrou em cena o gabinete da pronta resposta a governadores como Tarcísio de Freitas (São Paulo), Ronaldo Caiado (Goiás) e Romeu Zema (Minas Gerais). O principal alvo é Tarcísio, visto como provável rival de Lula na corrida ao Planalto. Com informações do portal Estadão.

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