Quinta-feira, 23 de julho de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 22 de julho de 2026
O escândalo do Banco Master já atingiu as eleições de outubro. A “bancada do Master”, como ficou conhecido o grupo de políticos que atuou a favor da instituição de Daniel Vorcaro, sofreu baixas e tenta dar sobrevida a algumas candidaturas às vésperas da campanha eleitoral.
Os ex-governadores do Rio Cláudio Castro (PL) e do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) desistiram de suas candidaturas ao Senado. Castro foi alvo da Polícia Federal e é investigado pelos aportes no RioPrevidência, fundo de pensão dos servidores do Rio. Ele nega irregularidades.
Ibaneis não foi alvo de operação, mas sofreu desgaste por causa da relação com Vorcaro e da tentativa de compra do Master pelo BRB. A crise atingiu a relação com aliados, incluindo sua vice e atual governadora, Celina Leão (PP), de quem se afastou. “Estou completando 55 anos e quero cuidar da minha vida”, afirmou ele em 8 de julho. Ibaneis foi alertado por seu advogado, Antônio Carlos de Almeida Castro, de que era melhor para sua defesa estar fora da campanha.
Na disputa pelo Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi implicado após ser revelado áudio em que ele pede dinheiro a Vorcaro para o filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após o episódio, suas intenções de voto caíram de 42% para 37% no segundo turno, conforme pesquisa da Genial/Quaest.
Flávio tenta colar a crise do Master no PT. “O núcleo do PT inteiro está envolvido na sacanagem, começou na Bahia com esse Augusto Lima (ex-sócio do Master)”, disse em entrevista na semana passada. A assessoria do senador afirmou ao Estadão que o caso Master não preocupa a pré-campanha.
Percepção
Em março, pesquisa da Genial/Quaest apontou que 67% levam em conta o caso Master para definir o voto. Levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, divulgado neste mês, apontou que 37,6% ligam o escândalo a aliados de Lula e 36%, a aliados de Bolsonaro. Para 17%, os dois grupos estão comprometidos. “O caso Master afeta mais o eleitorado que não é polarizado, aqueles que não são nem Lula nem Bolsonaro. Os radicalizados vão relativizar”, disse o cientista político Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice.
Parlamentares
No Piauí, o senador Ciro Nogueira (PP) tentará a reeleição, sob suspeita de receber propina de Vorcaro. Em meio à crise, o ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro fez até elogios a Lula. “O presidente Lula foi uma pessoa que enfrentou a questão da fome…”, disse em São João do Piauí, em 3 de julho.
Na Bahia, o senador Jaques Wagner (PT) recorreu a Lula para manter viva sua pré-campanha ao Senado. O presidente defendeu o aliado, investigado por suspeita de cobrar propina do Master. “Nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão”, disse Lula em Alagoinhas (BA), em 1º de julho.
Em São Paulo, o deputado Guilherme Derrite (PP) enfrenta obstáculos em sua pré-campanha ao Senado. Ele atuou para aprovar um projeto que, na visão do governo e de ala do Congresso, enfraquecia a PF em meio às investigações do Master. Derrite tem como principais adversárias as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). “Os desdobramentos das investigações terão reflexos eleitorais para aqueles que são alvo das apurações, como ocorre com lideranças da esquerda. E isso causará impacto às pré-candidatas ao Senado em São Paulo”, disse a assessoria de Derrite ao Estadão.
“Transversal”
Para o cientista político Antonio Lavareda, o impacto do Master é menor do que o da Lava-Jato em 2018. “O caso Master é mais transversal que a Lava-Jato porque atinge os três Poderes, mas encontrou o País em um momento diferente. Na Lava-Jato, havia uma crise econômica profunda.”
Outros personagens devem ir para a campanha eleitoral com o Master no encalço, como o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, pré-candidato a deputado federal no Rio. Ele recebeu R$ 6,4 milhões do banco por meio de seu escritório de advocacia.
O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) vai concorrer ao Senado pela Bahia. Ele era governador quando privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), em 2018. A Ebal tinha uma rede de supermercados chamada Cesta do Povo. O negócio originou o Credcesta, um cartão de benefício consignado que, mais tarde, foi incorporado pelo Master.
Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) busca a reeleição e quer lançar o pai ao Senado. Motta pediu a Vorcaro a liberação de empréstimo para uma empresa da cunhada. Ele disse que a operação foi legal. (Com informações de O Estado de S. Paulo)