Sábado, 17 de outubro de 2026

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Não dá mais para esconder debaixo do tapete – notas e reflexões heterodoxas

1. Quando as coisas não vão muito bem, é comum ouvirmos as pessoas dizerem que é preciso inovar, que uma revolução faz-se necessária; e, na maioria das vezes, o que seria urgente, de fato, é que paremos de inovar e passemos a considerar a possibilidade de darmos alguns passos para trás.

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2. Uma das ideias mais perniciosas que já foram semeadas nas salas de aula é aquela que afirma que o aluno é um cliente e que deve ser tratado como tal. Não, cara-pálida. Um aluno não é um cliente; é uma pessoa em formação que deve ser devidamente instruída e corrigida por uma autoridade que, até a véspera, era chamada pela alcunha de professor.

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3. É simplesmente fascinante vermos pessoas que nunca se deram ao trabalho de educar alguém ficarem dando pitaco sobre o que se deve fazer para bem educar um aluno; e se torna mais fascinante ainda quando essas pessoas são os pais de algum “alecrim dourado” da vida.

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4. Não existe pensamento crítico se nós não procuramos apresentá-lo textualmente. Isso mesmo. Há uma relação umbilical entre criticidade de fato e a escrita. Não? Então peguemos nossa crítica phodona sobre o que quer que seja e a escrevamos. Se assim o fizermos, perceberemos, em dois palitos, que nós temos que pensar no que iremos escrever, na forma como o faremos, iremos revisar, trocar os termos, mudar a ordem dos argumentos e, talvez, chegar à conclusão de que não temos nada de relevante para dizer ou, num cenário menos trágico, que temos que pensar mais um bom tanto a respeito do assunto antes de qualquer coisa.

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5. Podemos dizer que, de fato, começamos a aprender a ler quando reconhecemos que temos muitos obstáculos a superar no ato da leitura — e que estes apenas serão superados com o passar dos anos e com muita dedicação. Dito de outra forma, todo aquele que se acha o bichão na arte de ler, na maioria das vezes, é apenas mais um analfabeto funcional mui satisfeito com sua disfuncionalidade mal adquirida.

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6. Perseverança e atenção são as colunas de sustentação do aprendizado de toda e qualquer coisa e, por essa razão, a disciplina e o autocontrole são ferramentas indispensáveis para uma boa educação.

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7. José Ortega y Gasset dizia que, se nós queremos saber como será a sociedade daqui a uns vinte anos, basta darmos uma olhadela no estado em que se encontra a educação de hoje. Logo, o que mais deveria nos preocupar não é tanto quem irá governar o Brasil nos próximos quatro anos, mas sim como será o país que deverá ser (des)governado por alguém — por quem? — daqui a uns vinte anos.

* Dartagnan da Silva Zanela – professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de “Um grande monte de pó e sombras”, entre outros livros.

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