Domingo, 08 de novembro de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 7 de novembro de 2026

Durante décadas, viajar significava escolher entre sair de férias ou permanecer ao lado do animal de estimação. Hoje, essa decisão praticamente deixou de existir. Cães e gatos conquistaram espaço definitivo na rotina das famílias e passaram a integrar roteiros de lazer, feriados e até viagens de negócios. A mudança, aparentemente simples, vem transformando silenciosamente um dos pilares do turismo: a hospitalidade.
O avanço do segmento pet friendly já movimenta a indústria de viagens e influencia a forma como hotéis planejam seus serviços. Mais do que atender a uma demanda crescente, o setor busca compreender um novo perfil de viajante, para quem a experiência só faz sentido quando inclui todos os membros da família, inclusive aqueles que caminham sobre quatro patas.
Não por acaso, o tema entrou no radar do Ministério do Turismo, que iniciou, em parceria com a Unesco, um mapeamento de boas práticas voltadas ao atendimento de viajantes acompanhados por animais de estimação. A iniciativa acompanha uma tendência que se fortalece em hotéis, pousadas e resorts em todo o país.
Mas o que muda, na prática, quando um pet faz check-in?
A resposta está em uma série de procedimentos que raramente chegam ao conhecimento do hóspede. Receber animais vai muito além de permitir sua entrada. Exige planejamento, protocolos específicos, equipes preparadas e uma operação cuidadosamente desenhada para garantir conforto, segurança e convivência harmoniosa.
“Receber pets também faz parte da experiência de hospitalidade. O papel do hotel é criar condições para que os animais sejam bem-vindos e todos possam aproveitar a estada com conforto e tranquilidade”, afirma Carolina Sniecikoski, gerente-geral do bleev Curitiba, da HCC Hospitality.
Entre os cuidados mais comuns está a destinação de apartamentos ou andares específicos para hóspedes acompanhados de animais. A medida facilita a logística dos serviços, reduz interferências na operação e contribui para uma experiência mais agradável para todos os clientes. Em muitos empreendimentos, essa organização já faz parte do planejamento das reservas.
A higienização também ganha protagonismo. Quartos que recebem cães e gatos passam por procedimentos diferenciados para remoção de pelos, limpeza de superfícies e inspeção preventiva das acomodações. Em alguns casos, a arrumação ocorre apenas com a presença do tutor, garantindo mais segurança para os animais e tranquilidade para as equipes.
A saúde dos pets é outro aspecto fundamental. Carteiras de vacinação atualizadas e comprovantes de controle de parasitas costumam integrar os requisitos para hospedagem. Além de proteger os próprios animais, a medida ajuda a preservar as condições sanitárias dos ambientes compartilhados.
Nos espaços comuns, a convivência também é planejada. Restaurantes, academias, áreas de eventos e ambientes de lazer frequentemente adotam orientações específicas para circulação dos animais. Mais do que impor restrições, essas regras funcionam como instrumentos de equilíbrio, permitindo que diferentes perfis de hóspedes compartilhem os mesmos espaços com conforto e respeito.
A experiência começa antes mesmo da chegada ao hotel. Informações sobre porte, quantidade permitida de animais, itens necessários para a estadia e normas de convivência são repassadas durante o processo de reserva. Quanto mais transparente a comunicação, mais fluida tende a ser a hospedagem.
No fundo, o crescimento da hotelaria pet friendly revela algo maior do que uma tendência de mercado. Revela uma mudança cultural. Os animais deixaram de ocupar um papel secundário para se tornarem companheiros de jornada, influenciando escolhas de consumo e experiências de viagem.
Diante dessa nova realidade, a hospitalidade também precisou evoluir. Afinal, para um número crescente de viajantes, acolher bem não significa apenas oferecer um quarto confortável. Significa garantir que ninguém da família fique para trás. Nem mesmo quem chega ao lobby carregando seu brinquedo favorito e pronto para descobrir um novo destino.(por Gisele Flores -gisele@pampa.com.br)