Terça-feira, 30 de junho de 2026

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Michelle deixa em aberto ida a evento com Flávio e gera incômodo na campanha do senador

A primeira tentativa pública da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de reaproximação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ainda esbarra na indefinição sobre a participação dela. Isso porque Michelle ainda não sinalizou, nem para membros da campanha nem para aliados próximos, se comparecerá ao encontro com mulheres conservadoras organizado pelo senador para esta quarta-feira (1º), em Brasília.

A reunião, que deve ser realizada no comitê de campanha de Flávio, foi anunciada pelo próprio senador na nota divulgada em resposta ao vídeo em que Michelle expôs o atrito entre os dois. Na ocasião, Flávio afirmou que havia pedido à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) que organizasse o encontro, sugeriu que a ex-primeira-dama fosse convidada e disse ter ligado para ela na manhã da quarta (24), antes da publicação do vídeo, sem obter resposta.

Na última quinta-feira (25), o senador voltou a reforçar o convite. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que a reunião está mantida e reiterou o apelo para que Michelle participe da discussão.

“A reunião na próxima quarta-feira está mantida para tratar justamente das soluções que a gente vai propor para as mulheres de todo o Brasil, que acordam cedo, trabalham, estudam e cuidam das famílias”, afirmou.

Na sequência, Flávio voltou a defender uma reconciliação com a ex-primeira-dama. O senador também procurou demonstrar compreensão em relação às críticas feitas por Michelle e reforçou que atua alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro

“De coração aberto, quero reforçar o convite que eu já tinha feito para Michelle. Justamente porque eu acredito que o diálogo, o respeito e a união vão ser sempre o melhor caminho. O convite segue de pé e o coração segue aberto, Michelle, porque a gente tem que focar no nosso Brasil. Resgatar nosso país e sozinho é muito mais difícil”, disse.

Segundo Damares, o encontro reunirá entre 30 e 40 lideranças femininas conservadoras para o alinhamento final das propostas da campanha voltadas às mulheres.

“A princípio será um encontro entre 30 e 40 mulheres líderes conservadoras para alinhamento final do plano de governo para as mulheres. Devem participar deputadas, senadoras, gestoras públicas, médicas, professoras, assistentes sociais, juízas e delegadas”, afirmou a senadora.

Nos bastidores da campanha, a reunião é vista como o primeiro passo de uma ofensiva voltada ao eleitorado feminino. A estratégia prevê uma série de agendas temáticas nos moldes do programa “Brasil Sem Medo”, lançado nas últimas semanas para apresentar as propostas de Flávio para a área de segurança pública. A ideia agora é consolidar um capítulo específico do plano de governo dedicado às mulheres antes de seu lançamento público.

Apesar disso, a presença da principal liderança feminina do bolsonarismo na agenda ainda é uma incógnita. Membros do PL afirmam que, até esta sexta-feira, Michelle não havia recebido qualquer convite formal para o encontro e aliados dizem que ela ainda não se decidiu sobre o assunto.

A avaliação de aliados da ex-primeira-dama é que o movimento de Flávio ocorreu depois que ela passou a sinalizar publicamente que divulgaria um vídeo relatando sua versão do desentendimento entre os dois. Michelle voltou a criticar a articulação do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e anunciou que falaria sobre o assunto. Dois dias depois, publicou uma gravação de 26 minutos em que afirmou ter sido “desrespeitada” e “maltratada” pelo senador.

Para integrantes da pré-campanha, no entanto, a participação de Michelle é considerada estratégica. Aliados reconhecem que ela se consolidou, à frente do PL Mulher, como uma das principais pontes do bolsonarismo com o eleitorado feminino e evangélico, segmentos em que Flávio busca ampliar sua presença.

Interlocutores do senador afirmam que o encontro desta quarta não foi concebido inicialmente como uma resposta à crise, mas admitem que o episódio aumentou o peso político da reunião. Uma eventual presença de Michelle seria interpretada internamente como um sinal de distensão. A ausência, por outro lado, reforçaria a percepção de que o desgaste entre madrasta e enteado permanece sem solução. (Com informações do jornal O Globo)

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