Terça-feira, 30 de junho de 2026

Terça-feira, 30 de junho de 2026

Mais três ministros do Supremo votaram para liberar parte dos penduricalhos a juízes

O Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a nove votos favoráveis à liberação de parte dos chamados “penduricalhos” pagos a magistrados e integrantes do Ministério Público (MP). Os benefícios são classificados como verbas indenizatórias e são pagos além da remuneração formal. Em alguns casos, esses valores podem ultrapassar o teto do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46.366,19.

O placar foi ampliado nessa segunda-feira (29), quando os ministros Dias Toffoli, André Mendonça e Nunes Marques apresentaram seus votos no julgamento virtual dos embargos de declaração relacionados ao tema. Os três acompanharam a interpretação que permite ampliar alguns pagamentos além dos limites inicialmente sugeridos pelos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Com isso, resta apenas o voto da ministra Cármen Lúcia para a conclusão do julgamento.

A discussão ocorre após a decisão tomada pelo Supremo em março, quando a Corte havia restringido o pagamento de determinadas verbas adicionais. A decisão provocou uma série de embargos de declaração apresentados, em sua maioria, por associações representantes de magistrados e membros do Ministério Público, que solicitaram esclarecimentos e mudanças nos pontos definidos anteriormente.

Na sexta-feira (26), os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes apresentaram um voto conjunto no qual flexibilizaram algumas das limitações estabelecidas em março. No mesmo dia, o ministro Edson Fachin acompanhou a manifestação. No sábado (27), Luiz Fux também concordou com parte dos argumentos, levando o placar parcial para seis votos favoráveis à liberação.

Fux, porém, apresentou divergências em relação a alguns pontos do voto conjunto. O ministro defendeu uma ampliação maior dos benefícios e discordou da definição de um limite máximo de 35% do teto do funcionalismo público para determinadas verbas adicionais. Ele também divergiu sobre o controle dos pagamentos que haviam sido suspensos após as mudanças determinadas pelo STF.

Pelo entendimento apresentado inicialmente por Dino, Moraes, Zanin e Gilmar Mendes, os pagamentos retroativos permaneceriam suspensos. A proposta prevê que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realize uma auditoria em até 30 dias e encaminhe os valores ao STF, que deverá autorizar os pagamentos posteriormente por meio de referendo do Plenário.

Entre os principais pontos de flexibilização analisados pelos ministros está a autorização para que tribunais e unidades do Ministério Público convertam em dinheiro as horas extras realizadas durante plantões presenciais, desde que seja respeitado o limite de 35% do teto constitucional. Nos casos de plantões virtuais, o pagamento ficaria restrito às horas em que magistrados e integrantes do MP tenham sido efetivamente acionados.

Os ministros também votaram pela possibilidade de pagamento de períodos de férias, licenças-prêmio e plantões judiciais adquiridos antes da decisão do STF que estabeleceu limites para essas verbas.

Outro ponto analisado envolve a valorização por tempo de antiguidade na carreira (PVTAC), benefício solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e que havia sido autorizado anteriormente pela Corte. A verba segue critérios semelhantes ao Adicional por Tempo de Serviço (ATS), conhecido como quinquênio, que prevê um adicional de 5% nos salários a cada cinco anos trabalhados, até o limite de 35 anos.

O voto conjunto também permitiu que o PVTAC seja pago simultaneamente ao ATS, desde que o mesmo período de atividade jurídica não seja utilizado para o cálculo dos dois benefícios. Os ministros argumentaram que o ATS possui natureza remuneratória e, por isso, não deveria ser considerado equivalente ao outro benefício, apesar da semelhança nos critérios de concessão.

O julgamento virtual do STF está previsto para terminar nesta terça-feira (30). (Com informações de O Estado de S. Paulo)

Voltar

Compartilhe esta notícia:

A poucos meses do início oficial da campanha eleitoral, uma tensão institucional tem ganhado corpo ao arrepio da Constituição
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programação Especial