Quinta-feira, 23 de julho de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 22 de julho de 2026
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou a afirmar que a Smartmatic, empresa mencionada pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como fornecedora de urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, nunca vendeu equipamentos desse tipo ao Brasil. Até o momento, a Corte Eleitoral não havia se pronunciado especificamente sobre as declarações feitas pelo parlamentar durante reunião com embaixadores realizada na última terça-feira (21), em Brasília.
Ao ser questionado sobre o episódio, o TSE encaminhou uma publicação divulgada em 2020 na qual esclarece a relação da empresa com a Justiça Eleitoral brasileira e nega que a Smartmatic tenha fornecido urnas eletrônicas ou participado do desenvolvimento dos equipamentos utilizados nas eleições nacionais.
“Em diversas oportunidades, o TSE reiterou que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras”, afirma o texto divulgado pela Corte.
As declarações de Flávio Bolsonaro ocorreram durante encontro com representantes diplomáticos de diversos países. No discurso, o senador mencionou suspeitas de fraude envolvendo urnas fabricadas pela Smartmatic, empresa de origem venezuelana, e fez referência a informações que já foram desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral em outras ocasiões.
“Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, afirmou o pré-candidato durante a reunião.
Na sequência, Flávio declarou que não pretendia colocar em dúvida o sistema eleitoral brasileiro, mas defendeu uma maior participação de observadores internacionais no processo eleitoral. “Não estou questionando o sistema de eleição brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossa eleição e pessoas que têm conhecimento sobre essa tecnologia”, disse.
O encontro reuniu representantes das embaixadas no Brasil de países como Estados Unidos, China, Israel, Alemanha e Reino Unido, além de diplomatas de outras 35 nações. A iniciativa ocorreu em um contexto de aproximação com representantes estrangeiros e de apresentação de temas relacionados ao processo eleitoral brasileiro.
O episódio também remete a um caso envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio. Em 2022, quando ocupava a Presidência da República, Jair promoveu uma reunião com embaixadores na qual apresentou questionamentos ao sistema eletrônico de votação. Posteriormente, o Tribunal Superior Eleitoral entendeu que houve uso da estrutura pública para divulgar informações falsas sobre as urnas eletrônicas. Em razão desse episódio, o ex-presidente foi condenado à inelegibilidade.
A Justiça Eleitoral tem reiterado, em diferentes ocasiões, que as urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras são desenvolvidas no país e que a Smartmatic nunca forneceu esses equipamentos ao TSE, limitando sua atuação ao treinamento de profissionais responsáveis pelo suporte técnico e operacional do sistema. (Com informações de O Estado de S. Paulo)