Domingo, 18 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 17 de outubro de 2026
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul já confirmou mais de 500 ligações entre vestígios balísticos de diferentes crimes por meio do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab). O resultado é da Divisão de Balística Forense, responsável por analisar projéteis e estojos de munição para identificar se foram disparados pela mesma arma, mesmo quando as ocorrências aconteceram em cidades ou estados diferentes.
A identificação é possível porque cada arma de fogo deixa marcas características nos projéteis e nos estojos durante o disparo. Embora sejam fabricadas em larga escala, as armas apresentam diferenças que permitem aos peritos comparar os vestígios recolhidos em cenas de crime e relacioná-los ao armamento utilizado.
No Sinab, a ligação confirmada, também chamada de hit, ocorre quando a análise pericial e a validação técnica demonstram que vestígios de ocorrências distintas foram produzidos pela mesma arma. A descoberta pode ajudar a esclarecer crimes que, inicialmente, pareciam não ter relação entre si.
Em investigações sem suspeitos identificados, por exemplo, a correspondência pode indicar que uma mesma arma foi usada em diferentes delitos, oferecendo novas pistas para a apuração. Também permite relacionar uma arma apreendida a crimes anteriores, ampliando as informações disponíveis para os investigadores.
Crescimento das análises
O IGP começou a utilizar o sistema em julho de 2022. Desde então, o número de ligações confirmadas aumentou a cada ano: foram quatro em 2022, 52 em 2023, 93 em 2024 e 159 em 2025. Em janeiro de 2026, o total acumulado era de 308 ligações, relacionadas a 235 armas associadas a crimes. Em pouco mais de nove meses, foram confirmadas quase 200 novas conexões, até que o instituto ultrapassasse a marca de 500.
Para o chefe da Divisão de Balística Forense, o perito Jonathan Tobias Ramos, o resultado depende não apenas dos recursos tecnológicos, mas também da experiência dos profissionais envolvidos.
“Alcançar essa marca exige mais do que recursos tecnológicos”, afirmou. Segundo ele, o trabalho envolve conhecimento técnico, experiência na análise microscópica dos vestígios e rigor na avaliação das correspondências apontadas pelo sistema. Os materiais passam por exames cuidadosos, e os resultados precisam ser validados pelos peritos antes de serem considerados evidências úteis às investigações.
“Cada correspondência confirmada pode representar uma nova conexão entre fatos investigados”, destacou Ramos.
Destaque nacional
O desempenho também aparece nos indicadores gerais do Sinab. O IGP gaúcho ocupa a primeira posição no país em dois dos três critérios avaliados: número de inserções e de correlações balísticas.
Desde janeiro de 2022, o instituto contabiliza mais de 17,1 mil inserções e 35,6 mil correlações visualizadas. Em 30 de junho de 2025, eram 11.361 inserções e 20.501 correlações. Na comparação entre os dois períodos, o número de inserções cresceu cerca de 51%, enquanto o de correlações aumentou aproximadamente 74%.
Coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o Sinab reúne informações balísticas de diferentes estados brasileiros. Projéteis e estojos recolhidos em locais de crime ou provenientes de armas apreendidas são cadastrados no sistema e comparados com registros já existentes. Dessa forma, os peritos podem identificar vínculos entre ocorrências, contribuindo para esclarecer crimes, reconhecer padrões de atuação criminosa e rastrear a circulação de armas entre estados.