Sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sexta-feira, 24 de julho de 2026

Governador de São Paulo muda discurso interno, admite disputar o Planalto e se prepara para dois cenários em 2026

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desenha uma estratégia de longo prazo para manter abertas duas possibilidades em 2026: disputar a reeleição no Estado ou concorrer à Presidência da República. A preparação envolve ajustes no discurso, mudança na comunicação e articulação com aliados, numa tentativa de não partir do zero caso decida avançar para um projeto nacional.

O movimento tem caráter preventivo. A avaliação de aliados é que, se optar por concorrer ao Planalto, Tarcísio precisará deixar o governo paulista em abril de 2026 já com discurso estruturado, equipe preparada e pontes políticas firmadas. Até pouco tempo, o governador descartava publicamente a hipótese de disputar a Presidência, mas mudou o tom e passou a admitir a possibilidade em conversas reservadas, ainda que reafirme que sua prioridade é permanecer em São Paulo, onde considera ter condições de reeleição tranquila.

Segundo auxiliares, Tarcísio condiciona qualquer passo a um pedido direto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem reitera lealdade. Essa posição, no entanto, não afasta as movimentações nos bastidores. Emissários do governador procuraram, de forma informal, marqueteiros como Chico Mendez e Paulo Vasconcelos, além de manterem contato com a equipe de Pablo Nobel, responsável pela campanha vitoriosa em 2022. Embora a assessoria oficial negue tratativas, aliados apostam na repetição da parceria com Nobel.

A indecisão se reflete na agenda. De um lado, Tarcísio intensifica viagens pelo interior paulista, inaugurando obras e anunciando repasses a prefeituras. De outro, participa de eventos do mercado financeiro e encontros reservados com empresários, em que aborda temas nacionais como crescimento econômico, responsabilidade fiscal e críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O discurso, antes moderado, vem ganhando contornos mais duros e assumidamente antipetistas.

Em fórum do BTG Pactual, na semana passada, Tarcísio afirmou que “o Brasil não aguenta mais Lula” e defendeu que o País precisa olhar para a nova geração de governadores, em contraste com o que chamou de “mentalidade atrasada de 20 anos atrás”. O tom contrasta com o início da gestão, quando evitava críticas abertas ao governo federal.

O desafio do governador é equilibrar a preparação sem transmitir a impressão de que já está em campanha presidencial, o que poderia gerar atritos dentro do bolsonarismo. Mensagens divulgadas pela Polícia Federal no celular de Jair Bolsonaro, porém, revelaram desconforto do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) com a possibilidade de Tarcísio suceder o pai, expondo tensões internas.

Ainda assim, a pressão para que Tarcísio seja candidato ao Planalto cresce. Lideranças do Centrão consideram difícil que ele resista, diante da avaliação de que a nova conjuntura fortalece sua posição. Para aliados, as mensagens divulgadas pela PF reforçam que Bolsonaro já havia dado aval ao governador paulista, embora isso não fosse publicizado para não fragilizar o ex-presidente no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal sobre tentativa de golpe.

Um aliado próximo resume: Tarcísio só entrará na disputa presidencial com todos os “astros alinhados” — apoio dos principais partidos de centro-direita, respaldo inequívoco de Bolsonaro e pacificação no núcleo bolsonarista. A decisão também dependerá da avaliação sobre a força de Lula em 2026. Interlocutores lembram que o petista “sabe ganhar eleição” e que Tarcísio, de perfil pragmático, dificilmente arriscaria sua carreira em um cenário de grande incerteza.

 

(Com informações do O Estado de S.Paulo)

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Semana começa com mais de 8 mil vagas de trabalho disponíveis no RS
Rio Grande do Sul tem mais de 300 vagas em concursos públicos
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Músicas Do Sul