Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 3 de outubro de 2026
O Google colocou em órbita o primeiro satélite experimental do Projeto Suncatcher. A iniciativa estuda a possibilidade de levar infraestrutura de computação para inteligência artificial (IA) ao espaço.
Desenvolvido em parceria com a startup de satélites Planet, o protótipo foi lançado a bordo da missão compartilhada Transporter-18, da SpaceX, a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia (Estados Unidos).
A missão fará o primeiro teste em órbita das Tensor Processing Units (TPUs), que são chips desenvolvidos pelo Google para processamento de cargas de inteligência artificial. Segundo a companhia, o contato com o satélite já foi estabelecido e o equipamento opera como esperado.
Nas próximas semanas, serão coletados dados sobre o comportamento dos chips diante das vibrações e acelerações do lançamento, além da radiação e das variações térmicas encontradas no espaço.
O Suncatcher é um projeto de pesquisa de longo prazo. O objetivo é avaliar se a órbita terrestre baixa pode, no futuro, abrigar infraestrutura escalável de aprendizado de máquina.
De acordo com o Google, uma das vantagens estudadas é o acesso quase constante à luz solar: satélites em órbita baixa poderiam gerar até oito vezes mais energia solar do que sistemas equivalentes na Terra.
A proposta, em uma etapa posterior, é operar grupos de satélites com dezenas de TPUs cada, interligados por comunicação óptica para processar cargas maiores de IA.
Desafios
“Este primeiro lançamento tem como objetivo verificar o que funciona, identificar pontos de falha e aplicar essas descobertas em missões futuras”, informou o Google em comunicado.
A próxima etapa está prevista para 2027, quando a companhia pretende colocar dois satélites em órbita para testar a comunicação por laser em alta capacidade entre as espaçonaves.
Segundo a Planet, a missão lançada nesta semana representa a primeira demonstração do Suncatcher e o primeiro teste das TPUs do Google no espaço.
Antes do lançamento, o Google submeteu os chips a testes de vibração, radiação e vácuo térmico. Segundo a empresa, TPUs da geração Trillium resistiram, em testes realizados no Crocker Nuclear Laboratory, da Universidade da Califórnia em Davis, a uma dose total de radiação ionizante superior à esperada em uma missão espacial de cinco anos.
Outro desafio é a dissipação do calor produzido pelos processadores no vácuo, onde não há circulação de ar; para isso, o projeto testa soluções com tubos de calor e radiadores.
Na disputa
O Google não é o único a testar computação em órbita. A Starcloud lançou, em novembro de 2025, um satélite com um processador H100 da Nvidia, segundo a documentação da empresa.
A Kepler anunciou em março de 2026 uma infraestrutura de processamento distribuída por dez satélites, com 40 módulos Nvidia Jetson Orin e conexões ópticas. A proposta permite processar dados no espaço e reduzir a necessidade de enviá-los à Terra.
A Axiom Space informou o lançamento de dois módulos de data center orbital em janeiro de 2026, junto à rede de retransmissão óptica da Kepler. São iniciativas com equipamentos já enviados ao espaço, embora isso não as torne equivalentes a grandes instalações terrestres.
As propostas de constelações chegam a outra escala. A SpaceX apresentou um pedido para até um milhão de satélites. A Blue Origin propôs até 51.600 no projeto Sunrise. Os números descrevem a escala solicitada aos reguladores americanos, não constelações construídas.
Limites
A Sociedade Astronômica Americana pediu que os reguladores rejeitassem a proposta da Blue Origin em sua forma apresentada. A entidade apontou possíveis impactos sobre observações ópticas, infravermelhas e de rádio, além de preocupações com o ambiente orbital.
A Secure World Foundation, que analisa sustentabilidade espacial, cobrou avaliações dos riscos acumulados de colisão, descarte de equipamentos e interferência. Em manifestações sobre as propostas, defendeu autorizações por etapas, com demonstrações e critérios de desempenho antes da expansão.
Os documentos do Suncatcher consultados não estabelecem uma data para uma operação comercial em grande escala. (Com informações da revista Exame e CNN Brasil)