Terça-feira, 07 de julho de 2026

Terça-feira, 07 de julho de 2026

Flávio Bolsonaro diz que “objetivo único” da oposição é aprovar a anistia

Escolhido pela família para centralizar as manifestações públicas do pai após a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o “objetivo único” da oposição agora é aprovar a anistia aos condenados e investigados pelos atos do 8 de Janeiro.

A fala foi feita após a reunião de emergência convocada nesta segunda-feira (24) na sede do PL, que reuniu Michelle Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan, além do advogado Paulo Bueno e parlamentares alinhados ao núcleo mais ideológico da legenda.

“Nosso objetivo único a partir deste momento é o projeto de anistia na Câmara dos Deputados. Não abrimos mão de isentar essas punições absurdas, ainda mais depois dessa decisão de tirar Bolsonaro da prisão domiciliar”, disse.

No encontro, dirigentes e parlamentares acertaram apoiar a tramitação do projeto que reduz penas — relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP) — como forma de manter o tema vivo e, em paralelo, e tentar alterá-lo em plenário, para ressuscitar a anistia total. Estiveram presentes nomes como Nikolas Ferreira, Altineu Cortês, Sóstenes Cavalcante, Rogério Marinho e Carlos Portinho.

A estratégia, porém, tem poucas chances de prosperar: o destaque dependeria de um apoio muito superior ao tamanho da bancada bolsonarista, que soma pouco mais de noventa deputados.

“Nós defendemos a anistia e alguns a dosimetria. Quem tiver mais votos que vença”, disse Rogério Marinho, líder do PL no Senado.

A movimentação representa uma mudança de posição do PL, que até a semana passada sustentava publicamente que a anistia ampla era a única alternativa. Agora, parte da bancada avalia que apoiar a dosimetria garante uma reação política imediata à prisão do ex-presidente e reabre margem de negociação com o Centrão.

Líderes desses partidos, porém, afirmam que não há ambiente para votar qualquer proposta relacionada ao 8 de Janeiro. O assunto será levado à reunião de líderes desta terça-feira, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, só deve pautar a matéria se houver consenso — o que não ocorreu nas últimas semanas.

O texto de redução de penas também alcançaria Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão, e poderia diminuir a pena em pelo menos sete anos.

Embora a manifestação de Arthur Lira (PP-AL) em defesa de Bolsonaro tenha animado parte da oposição no sábado, aliados do presidente da Câmara classificam o gesto como simbólico e avaliam que a pauta segue travada.

Paulinho da Força afirmou no fim de semana que a prisão poderia acelerar a votação, mas seu entorno já descarta que o projeto avance esta semana diante da resistência do Centrão.

Após a prisão de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foram cotados como possíveis porta-vozes do ex-presidente. Na reunião desta segunda, o senador foi escolhido como o intermediador do pai. Nesta terça-feira (25), ele visita o ex-mandatário na superintendência da Polícia Federal.

Durante a coletiva, ele reforçou que a saúde do pai está fragilizada e que a família deseja sua recondução para a prisão domiciliar, o que foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes após a tentativa de danificar a tornozeleira eletrônica.

A decisão de Moraes que levou Bolsonaro à custódia cita uma convocação feita por Flávio para uma vigília que ocorreria no sábado. Na argumentação do ministro, o ex-mandatário teria tentado romper a tornozeleira para fugir. Flávio negou intenção de fuga do pai e reiterou a versão da defesa, de que Bolsonaro estaria em surto.

“Quando vazam o vídeo dele com som, é um consenso de que a voz estava alterada e arrastada. Quando vem o laudo médico comprovando quais remédios ele tinha tomado, Alexandre de Moraes vira um negacionista da ciência”, afirmou o senador.

Neste domingo (23), em audiência de custódia que manteve sua prisão, Bolsonaro disse ter tomado sertralina e pregabalina, o que foi confirmado por sua equipe médica em seguida.

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Perícia da Polícia Federal conclui que Bolsonaro tentou abrir tornozeleira com “fonte de calor” e identifica presença de ferro na área queimada
Vulcão entra em erupção pela primeira vez em 12 mil anos
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa O Som Dos Gaúchos