Domingo, 02 de agosto de 2026

Domingo, 02 de agosto de 2026

Entidades médicas contestarão na Justiça sedação feita por dentistas

O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) afirmaram que vão pedir à Justiça a suspensão da recente resolução do Conselho Federal de Odontologia (CFO) que permitiu que dentistas realizem a sedação de pacientes.

Em nota, as entidades defendem que a prática constitui ato médico e tem riscos significativos quando realizada por “profissionais sem qualificação”. Além disso, afirmam que vão denunciar o texto do CFO ao Ministério Público Federal (MPF) “para responsabilização criminal dos dirigentes envolvidos na edição da norma”.

A Resolução 295/2026 foi publicada no início de julho e atualizou a regulamentação da sedação por dentistas no Brasil. Segundo o CFO, a medida “acompanha a evolução científica da Odontologia e reforça o compromisso do Sistema Conselhos com uma assistência cada vez mais segura, ética e baseada em evidências”.

O texto passou a permitir que cirurgiões-dentistas autorizados realizem a sedação do paciente do estágio mínimo ao profundo, sendo vedada a anestesia geral. Para isso, criou duas modalidades de habilitação dos dentistas: Básica em Sedação em Odontologia e Avançada em Sedação em Odontologia.

A primeira deverá ter carga horária de 200 horas, sendo 100 de teoria e 100 de prática, incluindo a participação mínima em 16 procedimentos de aplicação de sedação para cada aluno. Ela é requisito para realizar a modalidade avançada, que tem carga horária mínima de 500 horas, com pelo menos 60% das atividades práticas presenciais supervisionadas, contemplando treinamento em simulação e ambiente clínico.

A habilitação avançada autoriza o cirurgião-dentista a realizar sedação em todos os três níveis (mínimo, moderado e profundo), diz a norma. A resolução também determina que os profissionais habilitados mantenham certificação atualizada em Suporte Básico de Vida (SBV) e Suporte Avançado de Vida para a Odontologia, com renovação a cada dois anos.

Além disso, enquanto os novos cursos são instituídos, o texto prevê que cirurgiões-dentistas que já atuem com sedação possam solicitar o registro da habilitação com base na experiência profissional. Para isso, será necessário comprovar atuação clínica, capacitação específica, certificação atualizada em suporte à vida, participação em atividades de ensino e atualização na área, além da inexistência de condenação ética relacionada ao exercício da sedação.

No entanto, o CFM, a AMB e a SBA alegam que a medida do CFO “tenta usurpar competências médicas, expondo a população brasileira a riscos críticos de morbimortalidade”. “Ao tentar autorizar cirurgiões-dentistas a induzir e manter sedação por vias parenterais (endovenosas) em consultórios, clínicas e, de forma ainda mais alarmante, em domicílio (home care), o CFO age com dolo à revelia da ciência e do arcabouço legislativo para ampliação de competências de cirurgiões-dentistas”, dizem.

Segundo as entidades, a “transição entre a sedação moderada, a profunda e a anestesia geral é fluida, volátil e incontrolável, dependendo de fatores biológicos”, e a condução desse processo por profissionais não médicos “eleva a incidência de óbitos e danos neurológicos irreversíveis na população adulta e, especialmente, na pediátrica”.

A nota acusa ainda o CFO de ter um “vício insanável de ilegalidade” e violar “frontalmente a Lei do Ato Médico”, que de fato determina que “execução de sedação profunda, bloqueios anestésicos e anestesia geral” são atividades privativas dos médicos no Brasil.

“A vida humana não pode ser submetida a experimentos normativos motivados por interesses corporativos e comerciais. Para a medicina, a segurança do paciente é inegociável”, dizem as entidades. Com informações do portal O Globo.

Voltar

Compartilhe esta notícia:

Inter recebe o Corinthians neste domingo pelas oitavas de final da Copa do Brasil
Primeira promotora trans do Brasil toma posse no Amazonas
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programação Especial