Domingo, 02 de agosto de 2026

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Em duelo na direita, Caiado sobe tom contra Flávio para tentar enfrentar Lula na reta final

Quando Ronaldo Caiado subiu ao trio elétrico na Avenida Paulista em março, sua fala parecia tirada diretamente da cartilha bolsonarista. Em uma manifestação que contou com Flávio Bolsonaro e outras lideranças de direita, o então governador de Goiás disse que seu primeiro ato na Presidência seria conceder “anistia plena, geral e irrestrita” aos envolvidos no quebra-quebra golpista de 8 de janeiro de 2023. A estratégia à época era permanecer como alternativa capaz de herdar o espólio eleitoral do ex-­presidente Jair Bolsonaro, inelegível, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado. A realidade, no entanto, impôs uma mudança de tática.

Menos de cinco meses depois, e com a candidatura ao Planalto oficializada pelo PSD, Caiado passou a intensificar as críticas a Flávio — o escolhido por Bolsonaro para representá-lo — em uma tentativa de ganhar espaço dentro do eleitorado de direita que, segundo as pesquisas, hoje prefere o senador do PL como adversário do presidente Lula.

O tom vem subindo nas últimas semanas. Em 14 de julho, ele criticou a divulgação por Flávio de uma carta na qual o pai pedia a união da direita em torno do filho. “Liderança você não herda, liderança você cria”, cutucou. Depois, ironizou a reunião do senador com diplomatas para questionar o sistema eleitoral. “Quarenta e dois embaixadores numa sala: dava para vender soja.

Dava para abrir mercado para a indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica!”, disse. Também ironizou a relação de Flávio e seu irmão Eduardo com os EUA por conta do tarifaço — chamou o filho Zero Três de “Pateta”. Na convenção que ratificou seu nome, no domingo 26, disse que o país não pode ter um candidato “Kinder Ovo, uma surpresinha todo dia”, em referência às investigações em torno do senador. “Quem mudou foi Flávio. Caiado foi obrigado, em função das revelações, a adotar outra postura”, diz Paulo Vasconcelos, marqueteiro da campanha. “Não houve mudança estratégica. O que existe é uma reação aos erros do adversário”.

A candidatura de Caiado enfrentou dificuldades desde o início. Depois de mais de três décadas no partido que começou como PFL, virou DEM e se tornou, enfim, União Brasil, Caiado deixou a legenda, que optou por não lançar candidato à Presidência. Foi acolhido pelo PSD de Gilberto Kassab, mas precisou disputar a indicação interna com os governadores do Paraná, Ratinho Junior, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Os dois, aliás, foram os únicos dos seis governadores do partido que estiveram na convenção que oficializou sua candidatura. Com informações da Revista Veja.

 

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