Sábado, 06 de junho de 2026

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Dólar fecha acima de R$ 5,06 e Bolsa brasileira recua com tensões comerciais e incertezas globais

O dólar fechou em alta de 1,15% nesta quarta-feira (3), cotado a R$ 5,0665. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 2,22%, encerrando o pregão aos 170.331 pontos. Com o resultado, a moeda americana acumula alta de 0,48% na semana e no mês. No ano, porém, ainda registra queda de 7,69%. O Ibovespa, por sua vez, acumula recuo de 1,99% na semana e no mês, enquanto mantém valorização de 5,71% em 2026.

Os mercados foram impactados pela decisão dos Estados Unidos de propor uma nova sobretaxa sobre produtos brasileiros. O anúncio foi feito na noite de terça-feira (2) e prevê uma tarifa adicional de 12,5%, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, o mesmo instrumento utilizado para justificar a tarifa de 25% anunciada contra o Brasil um dia antes.

A investigação conduzida pelo governo americano concluiu que o Brasil e outros países não adotam mecanismos considerados eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Segundo Washington, essa situação cria uma concorrência desleal para empresas e trabalhadores dos Estados Unidos.

De acordo com estimativas do governo brasileiro, caso as duas medidas sejam implementadas de forma cumulativa, a carga tarifária sobre produtos brasileiros poderá chegar a 37,5%. O cenário elevou a percepção de risco dos investidores, pressionando o câmbio e ampliando as perdas na bolsa.

Além das tensões comerciais, o mercado financeiro continua acompanhando a situação no Oriente Médio. Investidores avaliam com cautela as declarações contraditórias de autoridades dos Estados Unidos e do Irã sobre o andamento das negociações envolvendo o programa nuclear iraniano.

Na terça-feira (2), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações não haviam sido interrompidas, contrariando declarações feitas anteriormente por autoridades iranianas. Já nesta quarta-feira, Trump declarou que o Irã concordou em não desenvolver armas nucleares e disse que gostaria de se reunir futuramente com o líder supremo do país, o aiatolá Mojtaba Khamenei.

As incertezas em torno das negociações contribuíram para a alta do petróleo. Por volta das 17h, o barril do Brent, referência internacional, avançava 2,03%, cotado a US$ 97,95. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subia 2,42%, para US$ 96,03 por barril.

Nova investigação

Em mais um capítulo da disputa comercial, o governo Trump informou na noite de terça-feira que concluiu uma nova investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O relatório apontou que o Brasil e outros países não fiscalizam adequadamente a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.

Como consequência, Washington propôs tarifas adicionais sobre as importações provenientes dessas economias. Segundo o governo americano, a medida busca corrigir práticas consideradas prejudiciais à competitividade das empresas e dos trabalhadores do país.

O plano estabelece dois níveis de sobretaxação. O primeiro prevê uma tarifa adicional de 10% para países que possuem restrições parciais ou assumiram compromissos formais de combate ao trabalho forçado por meio de acordos comerciais. Nesse grupo estão União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador.

O segundo grupo, que inclui Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina e Arábia Saudita, entre outros, está sujeito a uma tarifa adicional de 12,5%, por não apresentar, segundo o relatório, mecanismos considerados eficazes de controle.

A nova sobretaxa foi anunciada apenas um dia após a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo o Itamaraty, a expectativa é que as duas cobranças sejam cumulativas caso entrem em vigor, elevando significativamente o custo das exportações brasileiras para o mercado americano.

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