Domingo, 05 de julho de 2026

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Dólar deve cair mais e preço justo da moeda é perto de R$ 5, diz ex-diretor do Banco Central dos Estados Unidos

O dólar completou a terceira sessão consecutiva de queda no Brasil e encerrou a semana no menor valor em 15 meses, a despeito de a moeda norte-americana sustentar ganhos ante as demais divisas no exterior.

A perspectiva de cortes de juros pelo Federal Reserve nos próximos meses, somada à manutenção da taxa básica Selic em 15% no Brasil, reforçava a avaliação entre os agentes de que a tendência de curto prazo para o dólar é de queda em direção aos R$ 5,30.

O dólar à vista encerrou a sexta-feira (12) em baixa de 0,69%, aos R$ 5,3537 — menor valor desde 7 de junho do ano passado, quando fechou em Rs 5,3247. Na semana, a divisa acumulou queda de 1,11% e, no ano, recuo de 13,36%.

Durante a última semana, a taxa de câmbio flutuou entre uma alta de 5.44025 na terça (9) e uma baixa de 5.34935 na sexta (12). O maior movimento de preço em 24 horas ocorreu na segunda (8), com uma diminuição de 0.384% no valor.

A queda da moeda norte-americana ocorre em meio à ausência de reação dos Estados Unidos após a condenação de Jair Bolsonaro (PL) e às expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve.

Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central e colunista do CNN Money, destaca que o movimento atual do real teve destaque em relação a outras moedas emergentes, indicando que fatores domésticos têm peso na valorização, embora a tendência de queda na cotação esteja mais relacionada às expectativas sobre a política monetária norte-americana.

Valor justo da moeda

Segundo Volpon, diversos modelos de análise indicam que o valor mais justo para o real, mesmo considerando os problemas fiscais do Brasil, estaria mais próximo de R$ 5,00 do que dos atuais R$ 5,35. O economista ressalta que o real continua sendo uma moeda barata, apesar da recente valorização.

O Banco Central brasileiro deve ver com bons olhos a valorização da moeda, já que isso pode contribuir para o controle da inflação. Volpon avalia que a autoridade monetária não deve interferir para impedir a continuidade dessa tendência, pelo menos enquanto persistirem os desafios inflacionários.

Perspectivas

As maiores incertezas para o futuro próximo vêm do Federal Reserve, que deve iniciar seu ciclo de corte de juros. A forma como esse processo será conduzido pode impactar significativamente o mercado de câmbio.

O comunicado do Fed pode sinalizar um ciclo de cortes mais extenso do que o mercado está precificando, o que historicamente favorece a valorização das moedas emergentes.

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