Domingo, 14 de junho de 2026

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Doctor Clin impulsiona leitura nas escolas no Dia Internacional do Livro

Em um país onde o acesso ao livro ainda é determinado por desigualdades históricas, iniciativas que ampliam bibliotecas escolares assumem um papel que vai além da educação — tornam-se instrumentos diretos de enfrentamento social. A atuação da Doctor Clin em Porto Alegre, por meio do projeto Pró-Biblioteca III, evidencia esse movimento ao mesmo tempo em que expõe uma fragilidade persistente: a ausência de uma política pública robusta e contínua de formação de leitores no Brasil.

A escolha de 23 de abril, Dia Internacional do Livro, instituído pela UNESCO, reforça o simbolismo da ação. A data, que celebra o poder da leitura em escala global, contrasta com a realidade brasileira, onde o hábito ainda não é plenamente consolidado. Em Porto Alegre, a entrega de novos acervos a escolas públicas conecta esse cenário internacional a uma urgência local.

Cada escola contemplada recebeu 250 títulos de literatura infantojuvenil, com curadoria especializada e diversidade temática. A proposta responde a um problema recorrente nas redes públicas: bibliotecas desatualizadas e pouco atrativas. “É sempre importante renovar e atualizar, porque o mundo é muito dinâmico. As crianças acabam não tendo tanto estímulo para leitura, então a escola é o primeiro lugar para isso”, afirma o vice-diretor Carlos Alberto Bernardes, ao destacar o impacto direto da iniciativa no ambiente escolar.

Os dados mais recentes da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil ajudam a dimensionar o desafio. Apenas cerca de metade da população brasileira pode ser considerada leitora, e a média anual gira em torno de 2,5 livros por habitante. Mais do que números, o levantamento revela uma tendência preocupante de queda no hábito de leitura, influenciada por fatores como desigualdade social, acesso limitado e ausência de políticas públicas consistentes.

No cotidiano das escolas, no entanto, o efeito da presença do livro é imediato e perceptível. “Eu gostei muito de ler Viagem ao Centro da Terra, porque é muito legal a viagem que eles fazem dentro da Terra”, relata o estudante Gabriel Aguete, de 10 anos. O depoimento evidencia um ponto central frequentemente ignorado no debate: o vínculo com a leitura nasce da experiência, da identificação e do encantamento — não da imposição.

Esse processo ganha ainda mais relevância em contextos de vulnerabilidade. Em instituições atingidas por eventos extremos, como as enchentes recentes no Rio Grande do Sul, a reconstrução das bibliotecas assume um significado ainda mais profundo. “Estamos começando do zero a construção do nosso acervo. Perdemos tudo com a enchente, inclusive a biblioteca. Reconstruir esse espaço é essencial”, afirma a diretora Anemarie Rucker, evidenciando o papel simbólico e prático do livro na retomada das atividades escolares.

Quando comparado a países que mantêm políticas estruturadas de incentivo à leitura, o Brasil ainda avança de forma fragmentada, muitas vezes dependente de iniciativas pontuais. Nesse cenário, projetos como o Pró-Biblioteca III se destacam pela continuidade e escala, mas também expõem uma contradição: a crescente participação da iniciativa privada ocorre, em grande parte, para suprir lacunas deixadas pelo poder público.

A própria Doctor Clin reconhece o alcance da ação no desenvolvimento dos estudantes. “Ler ajuda a desenvolver o cérebro, a criatividade e é fundamental nessa fase da vida. Para nós, é muito gratificante fazer parte disso”, afirma o assistente de marketing Leonardo da Silva Sartório. A fala reforça o entendimento de que o investimento em leitura vai além da responsabilidade social — trata-se de um compromisso com o futuro.

Ao ampliar bibliotecas escolares, a Doctor Clin contribui diretamente para transformar trajetórias. Mas o impacto mais profundo da iniciativa talvez esteja no que ela revela: em um país onde o acesso ao livro ainda não é garantido de forma plena, cada novo acervo não representa apenas uma coleção de obras — representa a abertura concreta de possibilidades. Entre páginas e histórias, o que está em jogo não é apenas o hábito de leitura, mas a própria construção de oportunidades.

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