Terça-feira, 08 de setembro de 2026

Terça-feira, 08 de setembro de 2026

Dívida pública do Brasil deve superar o PIB do País em 2034

A dívida bruta do governo brasileiro deve superar o equivalente a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2034, segundo projeções de mercado compiladas pelo Banco Central. A estimativa mais recente indica que a relação entre a dívida e o tamanho da economia deve chegar a 100,1% naquele ano. O Fundo Monetário Internacional (FMI), que utiliza uma metodologia diferente, projeta que a marca de 100% será ultrapassada antes, já em 2027.

De acordo com as projeções acompanhadas pelo Banco Central, a dívida bruta atualmente corresponde a cerca de 82,5% do PIB. A mediana das estimativas aponta uma trajetória de alta nos próximos anos, chegando a 83,2% em 2026, 87,2% em 2027, 90,1% em 2028, 92,5% em 2029 e 95% em 2030. A previsão é de 96,2% em 2031, 97,2% em 2032, 99,4% em 2033 e 100,1% em 2034.

A diferença entre as projeções brasileiras e a do FMI está relacionada à metodologia utilizada para calcular o endividamento. O organismo internacional inclui em seu cálculo títulos do Tesouro mantidos na carteira do Banco Central. Por esse critério, a dívida brasileira já corresponde a 95,4% do PIB, segundo as informações divulgadas sobre a projeção do Fundo.

O avanço da dívida ocorre em um cenário de custo elevado de financiamento do governo. Segundo o levantamento divulgado sobre as projeções, 56,3% da dívida pública estão vinculados à taxa Selic. Com juros elevados, aumenta também a despesa financeira do governo com a remuneração dos títulos públicos.

A conta de juros superou R$ 1 trilhão em 2025, de acordo com os dados citados no levantamento. O valor correspondeu a aproximadamente 8% do PIB. A trajetória da dívida, portanto, é influenciada tanto pelo resultado das contas públicas quanto pelo custo de financiamento e pelo crescimento da economia.

Economistas consultados na análise estimam que, nas condições atuais, seria necessário um superávit primário superior a 3% do PIB para estabilizar a relação entre dívida e economia. Isso representaria cerca de R$ 400 bilhões antes do pagamento dos juros.

O cenário também é acompanhado por instituições públicas. Documento do Tribunal de Contas da União aponta que a trajetória da dívida bruta é sensível a alterações no resultado primário, no crescimento econômico, nos juros e no câmbio. Em simulações de estresse, o TCU identificou cenários em que a relação dívida/PIB poderia se aproximar ou superar 100% antes de 2034.

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