Terça-feira, 08 de setembro de 2026

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Desfile de 7 de Setembro em Brasília tem conversas reservadas e abraço entre o advogado-geral da União e o presidente do Senado

Além dos recados institucionais sobre soberania nacional e combate à violência contra a mulher, o desfile de 7 de Setembro deste ano foi marcado por movimentações e conversas nos bastidores entre autoridades dos Três Poderes.

A cerimônia reuniu na tribuna de honra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em um momento de forte tensão política em Brasília.

O desfile deste ano teve um tom mais sóbrio, seguindo uma orientação que busca evitar qualquer tipo de irregularidade em meio ao período de campanha eleitoral.

Por recomendação da a Advocacia-Geral da União (AGU), o evento manteve o caráter institucional, sem elementos que possam ser interpretados como manifestação político-partidária ou como tentativa de influenciar o eleitorado, como discursos de autoridades.

Antes do início do evento, na chegada à área reservada às autoridades, Fachin e Alcolumbre se cumprimentaram. Pouco depois, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) se dirigiu ao presidente do STF para recebê-lo.

Enquanto aguardavam a chegada de Lula à Esplanada dos Ministérios, autoridades se dividiram em diferentes rodas de conversa na tribuna de honra.

Em um dos momentos, Alckmin, Alcolumbre e Hugo Motta trocaram palavras entre si. Fachin, por sua vez, permaneceu mais reservado, sentado ao lado da esposa.

O presidente do STF também foi visto em conversa com integrantes do governo. Em determinado momento, reuniu-se com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa.

Interação e tensão

Outro encontro que chamou atenção antes do início do desfile envolveu Jorge Messias e Davi Alcolumbre. Os dois se cumprimentaram na tribuna de honra, se abraçaram e sorriram um para o outro.

Nos bastidores, interlocutores atribuem a Alcolumbre papel importante na articulação que inviabilizou a aprovação do advogado-geral da União para uma vaga no STF.

Messias foi indicado pelo presidente Lula para uma vaga no Supremo, mas acabou derrotado em votação no plenário do Senado, em rejeição histórica desde 1894.

Também foi observada a ausência de interação entre Jorge Messias e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.

Em um dos momentos que antecederam a cerimônia, os dois ficaram próximos, lado a lado, na área reservada às autoridades. Não houve cumprimento. Em seguida, Andrei seguiu em outra direção.

A cena ocorreu em meio à crise provocada pela divulgação de um relatório de inteligência da Polícia Federal que recomendou “monitoramento e coleta dirigida” sobre o ministro André Mendonça, relator do caso Master e INSS no STF, e sua relação com Messias.

O documento afirmava que a proximidade entre os dois elevava a “percepção de risco” sobre uma eventual indicação do chefe da AGU ao Supremo, mas ressalvava ter grau de confiança “baixo” e não possuir valor probatório.

Nos últimos dias, Messias passou a fazer manifestações públicas em defesa da atuação da Advocacia-Geral da União.

Em uma delas, afirmou que “a função pública jamais deve se orientar por amizades, afinidades ou circunstâncias pessoais, mas pela Constituição e pelas regras da República”.

O advogado-geral também declarou que atua com “independência técnica, rigor jurídico e absoluta fidelidade à Constituição”.

A divulgação do relatório provocou reação de entidades que representam carreiras da Advocacia Pública Federal.

Em nota, as associações saíram em defesa de Messias e afirmaram que divergências jurídicas da AGU não podem ser transformadas em “elemento de suspeição” sem a análise dos fundamentos técnicos das decisões do órgão.

Já Alcolumbre circulou pela tribuna de honra e conversou com diferentes integrantes do Executivo e do Legislativo durante a manhã. (Com informações do portal de notícias g1)

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