Terça-feira, 08 de setembro de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 7 de setembro de 2026
O relatório de inteligência da Polícia Federal divulgado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes expõe uma divisão interna envolvendo as investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula, faz críticas sobre a produção de relatórios sobre Lulinha e sugere acionar a Corregedoria para apurar a conduta de investigadores ao batizar uma operação com o nome de Elli, em referência à letra L de Lula.
O próprio documento se descreve como “sem valor probatório” e indica que não pode ser usado para imputar acusações de infrações. Em vários trechos, diz que as informações registradas são de confiabilidade “baixa ou moderada” por depender apenas de relatos verbais. O relatório, que foi produzido por uma unidade de inteligência ligada à Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq) e inicialmente enviado apenas ao diretor-geral Andrei Rodrigues, classifica como “frágeis” os elementos de prova que citaram Lulinha na investigação sobre desvios no INSS.
O documento indica ainda que a nova equipe da PF que assumiu a Operação Sem Desconto a partir de maio, em meio a uma troca que gerou suspeitas de interferência no caso, passou a fazer uma espécie de pente-fino no trabalho realizado e apontou ressalvas na investigação a respeito do filho do presidente da República.
O documento critica a equipe de investigação por ter produzido um relatório sobre as menções a Lulinha e as viagens mantidas por ele com a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS. Esse relatório alvo de críticas, porém, faz uma compilação sobre os fatos encontrados na investigação em relação a todos os personagens mencionados, e não apenas a Lulinha.
Mesmo assim, o relatório de inteligência diz que Lulinha ainda não era formalmente investigado e que a produção de um documento sobre ele resultou em “risco reputacional”, já que estava disponível nos autos da investigação.
Em seguida, o relatório de inteligência registra que a fase da Sem Desconto que resultou em busca e apreensão contra Roberta Luchsinger, e nas primeiras suspeitas sobre Lulinha, foi batizada internamente como Operação Elli, pronunciada como se fosse a letra L, e que isso faria referência indevida a Lulinha.
“A preocupação é legítima e deve ser registrada. Denominações de fase que codifiquem pessoa não formalmente investigada constituem indicador reconhecido de risco em programas de integridade por três razões: sugerem que o objetivo real da diligência difere do objetivo declarado; comprometem a aparência de imparcialidade perante o controle externo; e, uma vez tornadas públicas, produzem dano reputacional a quem não é parte”, diz a análise.
A conclusão do tópico recomenda que seja identificado quem batizou a operação como Elli e que seja levado o caso à Corregedoria da PF: “Apurar, por via documental, quem a atribuiu, quando e com que registro; verificar a existência de norma interna sobre nomenclatura de fases; e, confirmada a codificação de pessoa não investigada, submeter a questão à Corregedoria”.
Com base nessas informações, a defesa de Lulinha chegou a divulgar nota dizendo que o relatório corrobora suspeitas apontadas sobre o direcionamento da investigação e defendendo o arquivamento das suspeitas sobre o filho do presidente. Apesar de o relatório de inteligência ter classificado como “frágil” o vínculo de Lulinha com os fatos investigados no estágio inicial da apuração, o avanço das investigações com informações do celular de Roberta Luchsinger revelou que ela efetivamente intermediou negócios de empresários com o governo federal.
A própria PF passou a apontar indícios de que ela tinha uma sociedade oculta com Lulinha nesses negócios. A PF pediu abertura de três inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência e apontou suspeitas de que Roberta seria responsável por bancar despesas do filho do presidente a partir dos contratos firmados com empresários interessados em negócios no governo federal. (As informações são de O Estado de S. Paulo)