Domingo, 14 de junho de 2026

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Concurso Leiteiro consagra excelência genética e produtividade na Fenasul Expoleite

Tradicional disputa da raça Holandesa premia exemplares de Catuípe e Anta Gorda em Esteio e reafirma a força da pecuária leiteira gaúcha em um momento em que eficiência, genética e sustentabilidade redefinem o futuro do setor.

Entre ordenhas, genética e tradição, um dos momentos mais aguardados da Fenasul Expoleite voltou a colocar em evidência aquilo que há de mais técnico e estratégico dentro da cadeia leiteira brasileira: o Concurso Leiteiro da raça Holandesa. Realizado no Parque de Exposições Assis Brasil, o certame consagrou nesta edição exemplares de elite de Catuípe e Anta Gorda, mas seu significado vai muito além do anúncio das campeãs.

Em um setor cada vez mais orientado por eficiência produtiva, bem-estar animal e precisão genética, vencer em Esteio representa um selo técnico de excelência.

É uma chancela.

É mercado.

É valorização genética.

Após cinco ordenhas oficiais realizadas ao longo da programação, a campeã da categoria Vaca Adulta foi Garzella 439 Marua Alongside, da Granja Garzella, propriedade de Gelson Garzella, que alcançou média de 70,59 quilos de leite — índice obtido após o descarte da maior e da menor pesagem, metodologia adotada para assegurar maior equilíbrio técnico.

Na categoria Vaca Jovem, a vencedora foi Ferraboli 553 Doorman, da Granja Ferraboli, de Paulo, Diego e Diogo Ferraboli, com média de 56,08 quilos.

Os números impressionam.

Mas, para quem vive a pecuária leiteira, eles contam apenas a superfície.

Por trás de cada litro há anos de seleção genética, manejo refinado, investimento em nutrição, sanidade, conforto animal e acompanhamento técnico permanente.

É justamente isso que o Concurso Leiteiro mede.

Não apenas volume.

Mas consistência.

Capacidade produtiva repetida sob rigor técnico.

Durante os dias de competição, os animais permanecem em monitoramento intensivo. Alimentação, ingestão hídrica, descanso, rotina de ordenha e adaptação ao ambiente são acompanhados de perto. Pequenas alterações podem impactar diretamente o desempenho final.

Na prática, o concurso funciona como um laboratório vivo da cadeia leiteira.

Para muitos criadores, conquistar um título em Esteio significa muito mais do que subir ao pódio.

Significa elevar o valor genético do plantel, ampliar reconhecimento de mercado e abrir novas oportunidades comerciais.

Durante a cerimônia de premiação, o presidente da Gadolando, Marcos Tang, destacou justamente esse trabalho silencioso que sustenta os resultados apresentados em pista. “Agradeço a todo mundo que veio e também às autoridades por reconhecerem esse trabalho de quem está no campo fazendo a sua atividade. É o Brasil que está certo, está aqui”, afirmou.

A declaração carrega um simbolismo importante.

Em um momento em que o agronegócio brasileiro discute competitividade global, inovação e sustentabilidade, o concurso lembra que a base de tudo continua sendo o produtor rural.

É dentro da porteira que a excelência começa.

Outro momento emblemático foi o tradicional banho de leite, ritual que consagra as campeãs em pista. A celebração mistura água e parte do leite impróprio para consumo humano, transformando um ato técnico em um dos momentos mais simbólicos e fotografados da feira — uma tradição que conecta performance, emoção e reconhecimento público.

Mas o simbolismo da competição vai além da pista.

Como ocorre tradicionalmente, 1.020 litros de leite serão doados à Prefeitura de Esteio, com destinação a instituições sociais do município.

O gesto reforça uma mensagem poderosa: o leite que simboliza produtividade também se transforma em solidariedade.

Na edição de 2026, o Concurso Leiteiro reafirma ainda uma tendência clara da pecuária moderna: produzir mais já não basta.

É preciso produzir melhor.

Isso significa unir genética superior, eficiência econômica, sustentabilidade e bem-estar animal em um mesmo sistema produtivo.

É exatamente esse equilíbrio que diferencia os campeões.

Nesse contexto, a Gado Holandês segue como referência mundial em produtividade e como protagonista dos sistemas leiteiros tecnificados do Sul do país.

Ao premiar animais de Catuípe e Anta Gorda, a Fenasul Expoleite não celebra apenas duas propriedades rurais.

Celebra uma cadeia inteira.

Uma cadeia feita de famílias produtoras, assistência técnica, cooperativismo, pesquisa e inovação.

Uma cadeia que movimenta milhares de propriedades, sustenta economias regionais e permanece estratégica para o desenvolvimento rural gaúcho.

Mais do que um concurso, o que se viu em Esteio foi uma reafirmação de propósito.

No centro da pista, entre aplausos, tradição e litros de excelência, ficou evidente que o futuro do leite brasileiro continua sendo construído onde sempre começou: dentro da porteira.(por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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