Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 1 de outubro de 2026
De todos os sintomas que incomodam na perimenopausa e menopausa, talvez as mudanças na pele e no cabelo sejam as mais difíceis de ignorar. A gente se olha no espelho todos os dias. E, de repente, percebe a pele mais seca, menos firme, os fios mais finos, a risca do cabelo mais aparente. Não conheço uma única mulher que não se incomode com alguma dessas alterações.
E não é para menos: estudos indicam que a pele pode perder até 30% do colágeno nos primeiros cinco anos após a menopausa. Os cabelos também podem afinar e perder densidade, embora nem toda queda seja causada pelos hormônios.
Se a pele e o cabelo mudam, talvez seja hora de repensar os cuidados. Na busca por tentar conter as ações do tempo e dos hormônios, muitas mulheres também se autoprescrevem tratamentos para a pele e o cabelo – nem sempre os mais adequados.
Perguntei à dermatologista Mariana Muniz, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, quais hábitos ela gostaria que as mulheres deixassem para trás nessa fase. Ela me apontou os cinco erros mais comuns que aparecem em seu consultório.
1. Tratar a pele como se ela continuasse muito oleosa
Sabe aquela sensação de pele “repuxando” depois de lavar o rosto? Muita gente a associa a uma limpeza caprichada. Mas, na menopausa, ela pode ser sinal de que o sabonete está retirando mais do que deveria.
Com a queda do estrogênio, a pele tende a reter menos água e a ficar mais seca e sensível. Sabonetes agressivos e esfoliações frequentes podem piorar esse quadro. “Limpar demais não significa limpar melhor”, diz Mariana. A recomendação é preferir produtos suaves e adaptar a frequência da lavagem à resposta da sua pele.
2. Seguir as tendências de skincare das redes sociais
Um vídeo recomenda retinol. Outro, vitamina C. O próximo jura que você precisa de um ácido e de um esfoliante. Dez passos do skincare coreano. Quando todos esses produtos vão parar na mesma rotina, o resultado pode ser irritação, sensibilidade e uma pele sem viço.
Isso não significa que esses ativos sejam ruins. Significa que a escolha, a combinação e a frequência de uso precisam fazer sentido para a sua pele. Mariana sugere começar pelo essencial: limpeza suave, hidratação e proteção solar. Tratamentos para renovação da pele podem ser acrescentados de forma planejada, conforme a necessidade e a tolerância de cada mulher, mas aí com supervisão do seu dermatologista.
3. Empilhar agressões nos cabelos
Tintura, descoloração, alisamento, chapinha, secador muito quente, penteados apertados da moda: nenhum deles precisa ser proibido. Mas vale prestar atenção ao efeito acumulado quando os fios estão mais finos e frágeis.
“Não significa que seja necessário abandonar tinturas ou tratamentos”, ressalta Mariana. Espaçar procedimentos e reduzir o calor já são formas de diminuir a quebra. E, se você notar queda persistente, afinamento ou a risca do cabelo cada vez mais larga, procure um dermatologista. A perda de cabelo pode ter diferentes causas; descobrir qual é a sua faz diferença no tratamento. Pode ser necessário o uso de medicações nessa fase, dependendo do diagnóstico.
4. Subestimar a importância da proteína
Quando pensamos em proteína, músculos são a primeira coisa que vem à cabeça. Mas os fios de cabelo são formados principalmente por queratina, e o colágeno é uma das proteínas que dão estrutura à pele. Se a alimentação não fornece proteína suficiente, cabelos e pele podem sentir os efeitos.
Mariana cita como referência uma ingestão diária em torno de 1,2 a 1,7 grama de proteína por quilo de peso corporal, distribuída ao longo do dia e associada à prática de exercícios de força. Aliás, saiba que os treinos de força, além de manter sua musculatura, trazem benefícios para a própria pele? Segundo a dermatologista, um estudo publicado na Scientific Reports sugere que, ao reduzir fatores inflamatórios no sangue e favorecer componentes da matriz que dá sustentação à derme, a musculação pode ajudar a rejuvenescer a pele.
5. Acreditar que um cosmético compensa o estilo de vida desequilibrado
Nenhum sérum ou tratamento mais moderno para a pele compensa os efeitos de anos de exposição solar excessiva, tabagismo ou privação crônica de sono. Ou da falta de micro e macronutrientes que a pele e os cabelos precisam. Proteger a pele do sol continua sendo um dos cuidados mais importantes, inclusive para reduzir o risco de câncer de pele, mas o estilo de vida como um todo também faz parte dessa conversa.
Assim como a atividade física, por meio de treino de força, melhora a pele, Mariana menciona os cuidados com nutrição, manejo do estresse e cuidado com o sono, que não é só um detalhe: a pele possui seu próprio relógio biológico, que influencia processos como renovação, defesa e reparação. E dormir mal afeta diretamente esse relógio interno.
Talvez a melhor mudança seja parar de repetir, por hábito, os cuidados que funcionavam antes. A pele que repuxa e o cabelo que quebra estão dando sinais. Prestar atenção neles pode ser mais útil do que comprar o próximo produto que apareceu no seu feed e que alguma influenciadora jura que faz milagres sozinho. (Por Silvia Ruiz/Estadão)