Quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Bruno será grande teste para uso de inteligência artificial em eleições

O Brasil será o grande teste para o uso de inteligência artificial (IA) em eleições no mundo e representará um aprendizado para vários pleitos do ano que vem. É assim que Bruno Lewicki, head de políticas públicas da OpenAI na América Latina, define a visão do gigante de inteligência artificial sobre a eleição brasileira deste ano.

Em entrevista ao podcast A Máquina, Lewicki diz que a empresa se preparou e acredita em uma eleição sem sobressaltos ligados ao uso de IA. Mas afirma que muitas das regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) são novas e não se sabe como serão aplicadas.

Em relação ao veto a conteúdo gerado por IA nas 72 horas anteriores e 24 horas posteriores ao pleito, acredita que não é responsabilidade das empresas, mas, sim, das redes sociais. “A norma do TSE não fala em geração de imagens ou conteúdo sintético. A norma veda a publicação, a republicação e o impulsionamento desses conteúdos.”

* Como a OpenAI se preparou para a eleição?

O primeiro ponto é a transparência. Quando a gente fala em inteligência artificial no Brasil, um dos grandes questionamentos das pessoas é: “Ah, mas o que foi gerado por inteligência artificial versus o que não foi? Hoje em dia não dá mais para saber o que é real ou não”. Tudo que é gerado no ChatGPT sai com uma etiqueta digital, com metadados sobre a origem do arquivo, e uma marca d’água invisível, que também permite saber se uma imagem foi gerada pelo ChatGPT.

* E quando é texto, dá para checar?

Por essa ferramenta, não. Tem várias outras, mas nenhuma é proprietária. O segundo ponto é o acesso à informação. Aqui no Brasil, são 215 milhões de mensagens diárias enviadas ao ChatGPT. É uma fonte muito preciosa de informação, desde que seja informação de qualidade. O modelo já é treinado para evitar informações que não sejam fidedignas, com vieses, mas também por meio de várias parcerias que a gente tem com o setor de mídia.

E um cuidado que se intensificou nesse período eleitoral é incluir fontes oficiais como o TSE, por exemplo, ou fontes de jornalismo de qualidade.

E o terceiro ponto é o monitoramento constante pelas nossas equipes de segurança, inteligência, integridade, de todas as políticas de uso dos nossos produtos, que já proíbem a vastíssima maioria de tudo que as pessoas pensam que pode causar algum ruído em processos como eleições. Mas não basta proibir, é preciso ter sistemas internos que permitam detectar e aplicar essas políticas, e a gente tem passado por um aprimoramento constante desses sistemas para ter certeza de que estejam em bom funcionamento para as eleições no Brasil.

* O que é proibido em conteúdo eleitoral?

O TSE, todo ano eleitoral, publica novas regras, trazendo novas questões que vêm sendo suscitadas. Uma das inovações de 2026 foi que modelos de IA não podem ranquear, recomendar, sugerir, favorecer ou desfavorecer direta ou indiretamente candidatos, partidos. É uma questão que a gente já trata, porque o modelo já é treinado para não ter viés em qualquer questão e sobretudo em matéria política eleitoral, que é tão sensível. Mas essa é uma norma nova também, sobre a qual não tem jurisprudência ainda do TSE.

Houve relatórios dizendo que os modelos, não só o ChatGPT, ainda estão recomendando, ranqueando. Temos aprendido muito e aplicado esse aprendizado para que a ferramenta evolua. A gente tem políticas muito robustas que proíbem a personificação indevida para fins eleitorais ou para difamar alguém. O uso em campanhas eleitorais também é vedado, a não ser para certas atividades mais administrativas. E, de um mês para cá, o ChatGPT no Brasil tem anúncios, na versão gratuita e em uma das pagas, mas não tem anúncios políticos ou eleitorais. Também não tem no resto do mundo. Mas, no Brasil, não tem, em especial em atenção ao fato de que é um ano eleitoral e não seria o momento para ter isso.

* Vocês mobilizaram mais gente ou tecnologia por causa da eleição brasileira?

Não no sentido de que foram contratadas pessoas a mais. Agora, é uma tecnologia que se aprimora todo dia. O Brasil está sendo um grande case de eleições. Em 2026, temos um momento de virada por causa da disseminação que a IA tem no mundo hoje. Vai ter uma série de eleições no ano que vem, na França, por exemplo, e muito do que está sendo testado no Brasil será um aprendizado muito importante. Eu vejo isso internamente, interesse de colegas meus que trabalham com políticas públicas, relações governamentais na França, na Espanha… (Com informações da Folha de S.Paulo)

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