Quinta-feira, 02 de julho de 2026

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As estiagens, um desafio para o próximo governador

Para aí !  Pode parar!

 Com todo mundo falando das ações da polícia no RJ . Que conversa é essa de estiagens?

Ainda nem chegou o verão, nem está  tão calor ! E muito menos , tivemos prejuízos neste ano  com secas.

Que pauta é  essa?  Mais  fora de hora!

Para entrar nesta pauta  triste e repetitiva  tem que ser   quando o desespero dos agricultores  ao verem suas lavouras  morrendo sem água.

Estamos  acostumados com o tema se repetindo e a frustrada tentativa  de se fazer algo quando a água começa a faltar.

Por décadas, a  história  de sempre. Água  tarde demais , a planta sentiu , já  perdeu.

Então começa o “script” ,  o governo do Estado   inaugura um  “Gabinete de crise hídrica”.

 Primeiramente    ações emergenciais  para dizer que está fazendo alguma coisa,   depois chora junto para contabilizar os recordes de prejuízos.

O fenômeno das estiagens na região sul  são sazonais e periódicos com eventos a cada 7 anos ,  agravados  a cada 12 ou 13 anos.  Ou seja,  o tema é recorrente e é muito bem conhecido.  A  forma de abordagem é equivocada , quando não irresponsável.

Abastecimento de água requer  planejamento de médio prazo, pois são obras que demandam estudos e projetos.

Também é preciso  corrigir um problema semântico que atrapalha a concepção de nominar o tema  como – Combate  às estiagens  –  não existe isso !

 Não  há como combater  os efeitos climáticos. Países frios  não combatem a neve do inverno.   A  Inglaterra não combate o “fog” londrino.  Convive e se puder , tira proveitos.

Efeitos climáticos  são eventos naturais. O que  devemos fazer é antever seus efeitos ruins.

 É impossível ir contra a natureza das coisas,   agindo  sempre como agimos,  os resultados são os mesmos e as desculpas também!

 Culpamos   o verão seco,  as águas do Pacifico , vizinha molhando a grama ou lavando o carro , ou se joga tudo  pro alto e põe a culpa no aquecimento global!

As ações de emergência até podem ter grande impacto político na mídia como forma de apresentar algo do  tipo :

 “Vejam  o que  estamos fazendo!!”

 Mas é  só começar a chover e o assunto saí  do noticiário e os programas emergenciais  e projetos de prevenção ao déficit hídrico  ,  são deslocados como “não prioritários” na agenda do Estado.

E a cada 7 anos ,  normalmente no verão,  a tragédia se repete.  Não aprendemos  com nossos erros.

 A iniciativa privada  investe em sementes, fertilizantes, tratores,  máquinas ,  combustível e mão de obra  e depois…  junta as mãos e olhando para os céus clama  pedindo à Deus que chova.

O próximo governo do Estado terá a oportunidade de corrigir visões historicamente distorcidas. De ouvir o setor produtivo,  suas demandas e promover ações de Estado.

Com a  visão voltada para resultados , para a eficiência e os lucros.

Água  é vetor de desenvolvimento de qualquer processo civilizatório é um insumo básico em qualquer atividade produtiva , principalmente  agrícola.

A água   tem que estar disponível no momento exato  e no lugar certo.

O Estado do RS  é altamente privilegiado com o clima ,  ou melhor com o regime de chuvas,  pois  chuvas de menos não é o maior problema , se houver   infra-estrutura e gestão hídrica.  Problema é água em excesso !!  Neste sim, não há o que fazer.

Temos uma oferta hídrica normalmente bem equilibrada,  o problema é a falta de obras de irrigação e saneamento que possam estar à postos, quando  necessário for.

Seguimos acumulando prejuízos de bilhões de reais em anos de menor oferta hídrica no  verão , com perdas enormes de riquezas e impostos.

Se o governo do Estado do RS  destinar   50%  do que se  perde de receita todos anos na  infraestrutura hídrica permanente, os problemas de estiagens do Rio Grande do Sul já estariam sanados.

Rogério Pons da Silva

Jornalista e empresário.

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