Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação Rádio Liberdade | 3 de outubro de 2026
Mesmo fazendo parte da rotina de milhões de mulheres, os anticoncepcionais ainda são cercados por dúvidas – e também por algumas informações equivocadas. Será que a pílula engorda? Usar o método por muitos anos pode prejudicar a fertilidade? É necessário interromper o anticoncepcional de tempos em tempos para que o corpo “descanse”?
As respostas nem sempre são iguais para todas. Isso porque existem diferentes métodos contraceptivos, com hormônios, doses e formas de utilização distintas. Além disso, condições de saúde, idade, rotina e planos reprodutivos também precisam entrar nessa decisão.
A ginecologista Loreta Canivilo esclarece cinco questões frequentes sobre o assunto e explica por que a escolha do contraceptivo deve ser feita de maneira individualizada.
Métodos
Pílulas são apenas uma das possibilidades disponíveis. Adesivos, anéis vaginais, injeções, implantes e dispositivos intrauterinos hormonais também podem prevenir uma gestação, mas cada alternativa possui características próprias.
“Existem diferentes tipos de hormônios, doses, vias de administração e formas de uso. Além da eficácia contraceptiva, precisamos avaliar o histórico clínico, a idade, os fatores de risco, os medicamentos utilizados e os objetivos daquela mulher”, destaca Loreta.
“Contracepção não deve ser uma escolha baseada apenas em relatos de amigas ou informações encontradas nas redes sociais. O que funciona bem para uma mulher pode não ser a melhor opção para outra. Uma consulta ginecológica permite avaliar as alternativas de forma individualizada e segura”, acrescenta.
Dúvida
Essa é provavelmente uma das dúvidas mais conhecidas sobre os métodos hormonais. No entanto, não é possível dizer que todo anticoncepcional necessariamente provoca aumento de peso.
“Cada organismo responde de uma maneira. Alterações de peso podem estar relacionadas a diversos fatores, como alimentação, retenção de líquidos, metabolismo, idade e estilo de vida. Por isso, não podemos atribuir automaticamente qualquer aumento de peso ao anticoncepcional”, explica a ginecologista.
Por isso, perceber mudanças na balança depois de iniciar um método não significa, por si só, que ele seja o responsável. Uma avaliação individual pode ajudar a entender o que está acontecendo e, se necessário, verificar se outra opção contraceptiva mais adequada.
Sem pausa
A ideia de que é preciso interromper periodicamente a pílula para dar um descanso ao organismo ainda é bastante difundida. Segundo a especialista, porém, essa não é uma recomendação que deva ser seguida indiscriminadamente.
“Não existe uma recomendação geral de que toda mulher precise interromper o uso do anticoncepcional para o organismo descansar. A necessidade de pausa ou troca do método deve ser avaliada individualmente, considerando o histórico de saúde e o tipo de anticoncepcional utilizado”, afirma Loreta.
Além disso, suspender e retomar o medicamento por conta própria pode comprometer sua eficácia contraceptiva. Caso exista o desejo ou a necessidade de interromper ou trocar o método, o ideal é conversar com o ginecologista para receber orientações sobre como fazer essa transição.
Fertilidade
O medo de ter dificuldades para engravidar depois de utilizar anticoncepcional por vários anos também aparece com frequência nos consultórios. Em geral, porém, a ação dos contraceptivos hormonais é reversível.
“O anticoncepcional atua justamente para evitar a ovulação ou dificultar a fecundação durante o período de uso. Isso não significa que ele provoque infertilidade permanente. Depois da suspensão, o tempo de retorno da fertilidade varia de acordo com o método e com as características individuais da mulher”, explica a ginecologista Canivilo.
Isso significa que a fertilidade não necessariamente retorna no mesmo ritmo para todas as pessoas ou imediatamente após a suspensão. Se a gravidez demorar a acontecer, também consideram-se outros fatores relacionados à saúde reprodutiva, em vez de responsabilizar automaticamente o uso anterior do anticoncepcional.
Esqueceu?
“O que fazer diante de um esquecimento depende do anticoncepcional utilizado e do número de comprimidos que deixaram de ser tomados. A mulher deve consultar a bula do medicamento e, quando houver dúvida, procurar orientação médica. Em algumas situações, pode ser necessário utilizar um método adicional de proteção”, orienta a ginecologista Loreta Canivilo.
E há um ponto que não pode ser esquecido: métodos contraceptivos hormonais são utilizados para prevenir a gravidez, mas não oferecem proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Para essa finalidade, o preservativo continua sendo essencial.