Quinta-feira, 30 de julho de 2026

Quinta-feira, 30 de julho de 2026

Amor pelo Cavalo Crioulo traz mais mulheres para as competições

O Cavalo Crioulo, símbolo das tradições gaúchas e da cultura equestre sul-americana, vem se tornando palco de uma transformação silenciosa e poderosa: a presença cada vez maior de mulheres nas competições. O que antes era território quase exclusivo dos homens hoje revela uma nova realidade, marcada por talento, persistência e paixão feminina. Seja no Freio de Ouro, na Marcha ou na Doma, o amor pelo Cavalo Crioulo tem atraído competidoras de diferentes idades e regiões, que compartilham um mesmo sentimento: viver intensamente a tradição e a emoção da raça.

Manuela Wolf é um dos nomes que simbolizam essa mudança. Atual campeã da Marchita, percorreu 160 km em pouco mais de dez horas montando a égua Já Te Disse de Santa Adélia, superando mais de 60 conjuntos. Sua vitória não é apenas um feito esportivo, mas também um marco para a representatividade feminina. “Não há espaço para diferenças nas provas do Cavalo Crioulo”, afirma. Para ela, o que conta é a entrega ao cavalo e à tradição, não o gênero de quem monta.

A nova geração também vem mostrando que o futuro da raça será marcado por mulheres. Victória Rissi, de apenas 14 anos, tornou-se a mais jovem credenciada para o ciclo profissional do Freio de Ouro. Montando a égua ZR Macedônia, conquistou o quarto lugar na Credenciadora Aberta de Fêmeas em Caxias do Sul (RS). Desde os dois anos acostumada a andar a cavalo, Victória já coleciona títulos e inspira outras meninas a não desistirem de seus sonhos. Em 2022, venceu sua primeira Supercopa na categoria Infantil A; em 2024, brilhou nas provas de Vaquero/Working Cow Horse, garantindo dobradinha de primeiro e segundo lugar. “Minha família me acompanha e meu pai me ajuda nos treinos. Para as meninas que têm o mesmo sonho que eu, digo para nunca desistirem”, incentiva.

Helena Arruda também reforça esse movimento. Campeã do Freio Jovem em 2025, ela resume sua trajetória em uma palavra: persistência. “Era o meu sonho ganhar o Freio Jovem, foi muito bom para mim. Treine muito porque você pode conseguir”, aconselha. Sua conquista mostra que dedicação e disciplina podem transformar sonhos em realidade, mesmo em um ambiente competitivo e exigente.

Essas histórias revelam que o Cavalo Crioulo não é apenas uma raça de excelência, mas também um espaço de transformação social. As mulheres que hoje competem trazem consigo não apenas técnica e preparo, mas também sensibilidade e paixão. Elas desafiam estereótipos, ampliam horizontes e mostram que tradição e inovação podem caminhar juntas. O crescimento da participação feminina nas provas é reflexo de um movimento cultural mais amplo: o reconhecimento de que o campo e as tradições gaúchas pertencem a todos.

O futuro das competições será marcado por essa diversidade. Ao lado dos homens que historicamente construíram a trajetória da raça, as mulheres seguem escrevendo novas páginas de coragem, paixão e excelência. O Cavalo Crioulo, mais do que nunca, é o cavalo de todos — e de todas. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

Voltar

Compartilhe esta notícia:

No Beira-Rio, Inter e Grêmio decidem o título do Gauchão 2026 neste domingo
Britney Spears tem audiência por prisão ao dirigir sob efeito de álcool marcada para maio
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Músicas Do Sul