Sábado, 07 de novembro de 2026

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Aliados de Lula conversam com Centrão negociando espaço no governo e cobram maior fidelidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende estabelecer uma nova dinâmica de relacionamento com os partidos no quarto mandato, garantindo maior participação das siglas na condução do governo e na sustentação de sua agenda no Congresso. A estratégia começou a ser discutida em conversas iniciais entre o Centrão e o Palácio do Planalto sobre a formação da próxima Esplanada dos Ministérios.

Nesta semana, o presidente do PT, Edinho Silva, reuniu-se com lideranças de centro e de esquerda para uma primeira rodada de conversas sobre a eventual participação dessas legendas no governo Lula 4. Foram procurados dirigentes de Podemos, União Brasil, PP, MDB, PSD e PSB. Ainda estão previstas reuniões com Republicanos, PSDB e Avante. A intenção é estabelecer um diálogo diretamente com as cúpulas partidárias.

Segundo relatos de participantes, Edinho tem defendido uma mudança de postura dos partidos, cobrando maior lealdade nas votações de interesse do Executivo no Congresso Nacional. Por enquanto, não foram discutidas indicações políticas nem a divisão dos ministérios.

Políticos ouvidos sob reserva consideram positiva a iniciativa de Lula de negociar diretamente com os presidentes das legendas, em vez de recorrer apenas a lideranças historicamente alinhadas ao petista. Para eles, a mudança representa uma retomada do diálogo institucional. Nas conversas, também foram apresentadas críticas à atual configuração do governo, especialmente à concentração de pastas estratégicas nas mãos de PT e PSOL e à falta de interlocução de alguns ministros com o Parlamento.

Deputados também reclamam da pouca representatividade da Câmara na Esplanada, em comparação com os espaços destinados aos senadores. A avaliação é de que a montagem do novo ministério deverá considerar melhor o equilíbrio entre as duas Casas legislativas.

A mensagem transmitida por aliados de Lula é que as negociações começam do zero, com possibilidade de abertura de espaços importantes para partidos do centro, desde que haja compromisso com a agenda governista no Congresso. Edinho tem aval do presidente para conduzir essa primeira etapa, com a colaboração dos ex-ministros Rui Costa e Camilo Santana.

A expectativa é que Lula se dedique à formação do governo após sua viagem internacional para a COP31, entre os dias 11 e 16. Interlocutores acreditam que o presidente também aproveitará o período no exterior para discutir os caminhos da reforma ministerial com seus auxiliares. No retorno, deverá retomar as conversas com os dirigentes partidários.

A condição para participar da base governista e indicar nomes para ministérios será o compromisso de votar com o Executivo. O governo pretende construir uma sustentação mais coesa, especialmente diante do crescimento expressivo do PL na próxima legislatura.

No terceiro mandato, Lula enfrentou uma relação marcada por tensões com o Congresso. Mesmo com a esquerda em minoria, distribuiu ministérios a partidos do Centrão que se declaravam independentes. No segundo turno, entretanto, a maioria dessas legendas apoiou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado nas urnas, depois de permanecer neutra na primeira etapa da eleição. A decisão provocou insatisfação no Planalto e levou à exoneração de indicados de políticos aliados, entre eles nomes ligados ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).

Aliança

Lula também convidou os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para acompanhá-lo na viagem internacional pela Ásia. O gesto foi interpretado como uma oportunidade para discutir a composição do governo e fortalecer a relação com os dois parlamentares, que poderão ser reconduzidos ao comando do Congresso em fevereiro.

Atualmente, Alcolumbre tem aliados nos ministérios do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, além de indicações em órgãos federais, como a Codevasf. Motta, por sua vez, emplacou Gustavo Feliciano no Ministério do Turismo e também possui indicações na estrutura do governo.

Apesar da disposição de aproximação, não há garantia de apoio integral das bancadas. Partidos do Centrão abrigam parlamentares de oposição a Lula, o que dificulta um alinhamento uniforme. Além disso, persistem ressentimentos com a atuação do PT nas eleições. Um dos casos é o do presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), que buscava a reeleição ao Senado e ficou insatisfeito com críticas feitas por Lula durante a campanha. Aliados atribuem a esse episódio parte da derrota do senador nas urnas.

Apesar das divergências, integrantes do governo avaliam que existe espaço para reconstruir pontes com setores do centro e ampliar a base parlamentar. A prioridade será transformar as conversas iniciais em compromissos políticos concretos para garantir estabilidade ao próximo governo. (Com informações do jornal O Globo)

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