Quarta-feira, 13 de maio de 2026

Quarta-feira, 13 de maio de 2026

A Previdência em ano eleitoral

Há algo profundamente autoritário na forma como parte da sociedade brasileira fala sobre Previdência em ano eleitoral. O tema acaba sendo usado como instrumento de mobilização política. Sempre se perde o espaço para uma conversa mais técnica e equilibrada sobre o futuro. As motivações apresentadas nunca são genuínas. A maioria dos que atacam o sistema sequer sabe do que estão falando: confundem BPC com Bolsa Família, não entendem de custeio, confundem previdência com assistência e equilíbrio financeiro atuarial com obtenção de lucro.

Sequer conhecem os requisitos exigidos para recebimento das prestações. Mas gostam de opinar, repetir frases prontas como “gastos excessivos”, “fraudes generalizadas” e “peso para o Estado”. Tome cuidado com este tipo de gente. No fundo, o seu interesse é unicamente eleitoreiro. Em vez de promover esclarecimentos, preferem simplificar a discussão em slogans fáceis e alimentar a insegurança. Os impactos sociais das mudanças são apresentados de maneira superficial, sem considerar as diferenças regionais, as desigualdades econômicas e as distintas realidades enfrentadas pelos brasileiros.

São perversos, pois toleram privilégios gigantescos nas altas estruturas do poder, convivem com renúncias fiscais bilionárias e assistem silenciosamente a desperdícios monumentais. Mas só entram em estado de indignação quando o assunto é um salário-mínimo destinado a alguém extremamente pobre. Aí o problema fiscal se torna uma ameaça para eles.

O resultado é a crescente sensação de que o futuro da previdência social está cada vez mais condicionado às conveniências políticas e às disputas partidárias do que a um planejamento técnico e sustentável de longo prazo. Esse cenário gera insegurança entre os trabalhadores e aposentados, que passam a enxergar a previdência como um tema instável e sujeito a constantes alterações, comprometendo a confiança da sociedade nas instituições responsáveis pela proteção social.

Infelizmente, este é o verdadeiro interesse de alguns.

– Alexandre Triches é advogado e professor. (schumachertriches.com.br)

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